Quem impede de ir e vir é o tráfico, diz ministro sobre 'fichar' moradores no Rio

Entidades criticam fotos tiradas de pessoas em favelas após intervenção federal

Homem das Forças Armadas fotografa morador durante operação na Vila Kennedy, na zona oeste do Rio
Homem das Forças Armadas fotografa morador durante operação na Vila Kennedy, na zona oeste do Rio - Danilo Verpa - 23.fev.2018/ Folhapress
Fernanda Wenzel
Porto Alegre

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, general Sérgio Etchegoyen, rebateu críticas nesta segunda-feira (26) sobre os militares exigirem RG e “ficharem” moradores de favelas do Rio de Janeiro.

“Não é fichamento. É um sistema da Secretaria de Segurança do Rio que oferece em um smartphone a possibilidade de o policial checar no banco de dados se a imagem é aquela”, afirmou Etchegoyen. “Não me parece ser um problema fazer isso com ninguém. Impedidas de ir e vir estão as pessoas que hoje são tiranizadas pelo tráfico”.

A declaração foi feita em um evento da revista “Voto”, em Porto Alegre, em resposta às entidades da sociedade civil que criticaram a ação junto aos moradores de três comunidades da zona oeste carioca. 

Pontos de identificação foram montados em diversos pontos das favelas após o início da intervenção federal na Segurança Pública do Rio, e os moradores foram fotografados junto ao RG. Para a OAB-RJ, a ação afronta o direito de ir e vir dos moradores.

Além de Etchegoyen, também esteve no evento o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB). Perguntado sobre a sucessão presidencial, Marun disse que não descarta o apoio do MDB ao candidato tucano Geraldo Alckmin.

Segundo o ministro, o governo considera apoiar um partido que não seja da sua base mas tenha projeto reformista, dando continuidade aos projetos da atual gestão: “No caso se destaca com estas características o próprio PSDB”, afirmou.

Ao mesmo tempo, Marun disse que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, seria “muito bem-vindo ao MDB”, mas reiterou: “O partido é muito grande para que nessa hora nós possamos garantir a quem quer que seja a candidatura. Mas não que isso esteja descartado, ele pode vir pro MDB e pode ser o nosso candidato”.

Meirelles é filiado ao PSD, mas a candidatura pelos sociais-democratas perdeu força depois que o presidente licenciado do partido, ministro Gilberto Kassab, afirmou que Alckmin seria o melhor nome ao Planalto.

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