Luis Kawaguti
Rio de Janeiro

Cerca de 900 militares das Forças Armadas retornaram à favela da Vila Kennedy, no Rio, na manhã desta quarta-feira (7). O objetivo é destruir as barricadas construídas pelo crime organizado.

Segundo o CML (Comando Militar do Leste), não houve confronto na chegada das tropas pois a região já estava ocupada pela polícia.

A ação ocorre dois dias após helicópteros de redes de TV locais registrarem imagens mostrando que criminosos haviam refeito barricadas recentemente destruídas por forças de engenharia de combate do Exército.

Essa é a quarta vez que as Forças Armadas ocupam a Vila Kennedy em menos de duas semanas. A primeira ação ocorreu no dia 23 de fevereiro, logo após a arma do sargento do Exército Bruno Cazuca, assassinado dias antes pelo crime organizado, ter sido encontrada na região.

Além da desobstrução de ruas, a ação envolve cerco, estabilização da área e o cumprimento de mandados de prisão.

As tropas voltaram à região depois nos dias 26 de fevereiro e 3 de março. Após a divulgação das imagens das novas barricadas na última segunda-feira (5), agentes da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) intensificaram a presença na área.

A polícia investiga se moradores teriam sido forçados a ajudar o crime organizado a erguer as novas barricadas. Elas são feitas com a colocação no meio das ruas de tonéis de metal que são preenchidos com cimento e vergalhões de ferro ou com a construção de quebra-molas improvisados.

As Forças Armadas têm usado tratores e britadeiras para destruir os obstáculos. O objetivo é manter as ruas desobstruídas para que a polícia possa circular com carros e blindados na região e, assim, restringir as ações do crime organizado. Quase uma centena de barreiras já foram retiradas da região pelas autoridades.

Além da desobstrução de ruas, a ação envolve cerco, estabilização da área e o cumprimento de mandados de prisão.

Blindados, helicópteros e unidades pesadas de engenharia de combate também são usados na ação.

IDOSO MORTO

Um homem de 66 anos morreu ao ser baleado na cabeça na Vila Kennedy no último domingo (4) durante um tiroteio entre criminosos e policiais da Unidade de Polícia Pacificadora. Na ocasião, uma mulher de 40 anos também foi atingida na perna.

O confronto começou quando policiais abordaram criminosos em uma motocicleta.

INTERVENÇÃO

Ações de curta duração em favelas dominadas pelo crime organizado fazem parte da estratégia, mas não são o foco principal nessa fase de ações da equipe de intervenção federal no Rio de Janeiro.

Por enquanto, as ocupações prolongadas que ocorreram no passado em favelas do Rio estão descartadas.

A equipe do interventor, o general Walter Souza Braga Netto, concentra-se atualmente em promover mudanças na gestão dos órgãos policiais para melhorar sua capacidade de operação.

Entre os objetivos estão aumentar o efetivo e melhorar os equipamentos das polícias, aprimorar a gestão administrativa e financeira e combater a corrupção.

Na tarde de terça-feira, o secretário de Segurança Pública, general Richard Nunes, anunciou a troca do comando das polícias militar e civil.

O coronel Luis Claudio Laviano, ex-comandante do Bope (Batalhão de Operações Especiais) assumiu a Polícia Militar, e o delegado Rivaldo Barbosa, ex-titular da Delegacia de Homicídios, foi designado para chefiar a Polícia Civil.

Os dois devem ser oficialmente apresentados por Nunes durante uma entrevista à imprensa marcada para a tarde desta quarta-feira.

UOL

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