Mineradora registra segundo vazamento em menos de um mês em MG

Uma tubulação de mineroduto se rompeu no dia 12 de março e despejou minério de ferro em um rio

 

Instalações da mineradora Anglo American em Conceição do Mato Dentro (MG), durante obras do mineroduto Minas-Rio em 2014
Instalações da mineradora Anglo American em Conceição do Mato Dentro (MG), durante obras do mineroduto Minas-Rio em 2014 - Fabio Braga/Folhapress

 

Martha Alves Luisa Leite
São Paulo e Rio de Janeiro

A mineradora Anglo American anunciou novo vazamento de mineroduto em Santo Antônio do Grama (230 km de Belo Horizonte), na noite desta quinta-feira (29). Este é o segundo vazamento registrado em menos de um mês na mesma cidade.

O vazamento ocorreu dois dias após o retorno da operação normal da mineradora, interrompida no dia 12 de março após o primeiro acidente, quando 300 toneladas de minério atingiram o rio e interromperam o fornecimento de água na cidade.

Desta vez, houve um vazamento de 174 toneladas de polpa de minério de ferro, que durou entre cinco e oito minutos e foi estancado, segundo a mineradora. O produto atingiu o ribeirão Santo Antônio do Grama. Não houve feridos.

A Anglo American informou que as operações da mineradora estão paralisadas e as autoridades e órgãos competentes foram avisados imediatamente após a identificação do vazamento. 

O abastecimento de água em Santo Antônio do Grama não foi interrompido como da primeira vez porque agora a captação é feita no Rio Salgado.

Na noite de quinta, o Ibama suspendeu a operação da empresa, que poderá solicitar ao órgão a retomada das atividades após passar por uma inspeção. Para isso, ela precisará apresentar ao Ibama um laudo técnico atestando que as estruturas do mineroduto possuem condições de integridade e segurança.

A empresa tem um prazo de 48 horas, iniciadas na noite de quinta, para apresentar um laudo ao Ibama descrevendo os danos provocados pelo vazamento e as medidas de mitigação, controle e reparação que serão tomadas. 

De acordo com a empresa, as atividades devem ficar paralisadas por cerca de um mês enquanto são realizados os testes de segurança necessários no mineroduto, que percorre 529 quilômetro entre Conceição do Mato Dentro, em Minas, até o porto do Açu, no Rio de Janeiro.

Neste período, parte dos funcionários entrarão em férias coletivas.

Em entrevista coletiva concedida em Belo Horizonte, o presidente da Anglo American, Rubens Fernandes, afirmou que no momento do acidente o mineroduto não operava em sua capacidade total, pois havia retomado as atividades havia apenas dois dias.

De acordo com Fernandes, a segunda ocorrência tornará o plano de inspeção mais minucioso, com rastreamento de toda a extensão da estrutura da tubulação com um ultrassom.

Em nota, a assessoria da empresa afirmou que os impactos do evento são “100% mitigáveis” e que uma equipe de mais de 200 pessoas trabalha na retirada da polpa de minério da calha do rio e de suas margens.

PRIMEIRO VAZAMENTO

Um mineroduto se rompeu no dia 12 de março na zona rural de Santo Antônio do Grama, derramando 300 toneladas de polpa de minério no ribeirão Santo Antônio.

Segundo a Anglo American, o despejo de polpa de minério de ferro no rio durou 25 minutos -depois disso somente água foi bombeada na tubulação por cerca de 11 horas. 

Segundo informações preliminares da Promotoria, houve o vazamento de 450 m³ de minério durante 45 minutos. No ribeirão afetado, o nível de turbidez aumenta de 75,1 NTU (unidade de turbidez) em local anterior ao vazamento para 837 NTU em ponto posterior.

O Ministério Público Federal instaurou um inquérito civil para investigar as causas do rompimento e os responsáveis. Foram solicitadas informações ao Ibama, à Copasa (estatal de fornecimento de água) e à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais. 

O Ministério Público de Minas Gerais, ajuizou uma ação civil contra a Anglo American pedindo o bloqueio de R$ 10 milhões da mineradora para garantir a reparação e indenização dos danos sociais e ambientais. 

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