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São Paulo ganha biblioteca 24 horas e gratuita em calçada na Vila Mariana

Estantes ficam em frente à ESPM; livros podem ser retirados livremente

O projeto Livro Livre tem acervo de 2.000 obras e aceita doações
O projeto Livro Livre tem acervo de 2.000 obras e aceita doações - Rivaldo Gomes/Folhapress
Tatiana Cavalcanti
São Paulo

 Não há portas, porteiros, cadastros e nem regras que impeçam a retirada, a qualquer momento, de obras literárias, de filosofia, de arte e até mesmo específicas para áreas como marketing e publicidade. Esse é o lema de uma biblioteca comunitária que desde 19 de fevereiro funciona diariamente, por 24 horas, na calçada em frente à ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), na Vila Mariana (zona sul).

Até espíritas fazem parte do acervo de 2.000 obras da Livro Livre, projeto idealizado e concretizado pelo publicitário Dalton Pastore, presidente da ESPM. “A ideia é não ter barreiras. A pessoa entra, gosta do livro e leva. Se não puder devolver, não tem problema. O objetivo é que o espaço na frente da faculdade se torne da cidade, que todos tenham acesso à literatura de qualidade, de todos os lugares”, afirma.

“Até uma mulher do Mato Grosso do Sul entrou, se interessou, mas ficou constrangida em levar três livros, porque não poderia devolver. Eu falei ‘leva, não tem problema’. E ela saiu feliz.

”Um carimbo nos livros explica que a “educação é o único caminho para o desenvolvimento econômico, social e humano.” Ali, a nota ao leitor explica como funciona o sistema e incentiva o retorno do livro à estante do Livro Livre, apesar de não ser obrigatório.

ESTUDOS

A estudante de publicidade Sthacey Saratani, 19 anos, aprovou a ideia. “Achei muito legal, vou levar um livro”, disse ela com uma obra de marketing na mão.

Da mesma turma, Gabriela Pacheco, 18 anos, destaca a qualidade das obras. “Tem livros de publicidade e de literatura que muita gente não poderia ter acesso.

”Outra colega, Gabriella Varela, 19, já pegou três livros, de literatura e de marketing. “Não os li ainda, mas vou devolver na medida em que for terminando”, diz.

Enquanto a reportagem estava no local, um homem parou um carro, retirou três caixas cheias de livros, escreveu “doação” e falou “é de uma pessoa que morreu”. Ele foi embora sem se identificar. “Já temos mil exemplares doados”, afirma Pastore.

DOAÇÃO

Não são somente estudantes que se interessam pelos livros da biblioteca comunitária da Vila Mariana. Os amigos André Alves, 38 anos, publicitário, e Vivian Baravelli, 37, jornalista, visitaram o espaço pela primeira vez, na sexta-feira passada. Youtubers, aproveitaram e fizeram um vídeo para falar do espaço e incentivar doações de livros.

“É uma proposta espetacular pelo acesso fácil”, afirma Alves, com um exemplar de marketing na mão.

“Não consigo levar um livro sem deixar outro. Acho tão valioso tudo isso que sinto precisar retribuir”, afirma a jornalista Vivian.

O idealizador da biblioteca 24 horas, Dalton Pastore, presidente da ESPM, conta que é difícil mensurar a quantidade de leitores. “É difícil precisar este número, já que a biblioteca não tem porta ou controle de entrada. Ela é livre e assim vai ser.”

De madrugada, diz a ESPM, são os moradores do bairro que mais buscam os livros. Mas a maior parte segue sendo universitários.

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