Guilherme Seto Rogério Gentile
São Paulo

O vice-prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), quer fazer uma transição suave com a gestão João Doria (PSDB). Em acordo com o atual prefeito, decidiu-se que quase todos os 25 secretários permanecerão pelo menos até o final do ano. Cláudio Carvalho, secretário de Prefeituras Regionais, é o único que deixará a administração assim que Covas assumir o cargo, nesta sexta-feira (6).

Outros poucos secretários podem sair em um segundo momento, em julho, para atuar na campanha de Doria para o governo do estado. São nomes próximos do tucano, que gostaria de contar com eles na eleição e, eventualmente, em seu governo.

São os casos de Júlio Serson (Relações Internacionais), Anderson Pomini (Justiça), Jorge Damião (Esportes) e Fábio Santos (Comunicação). Paulo Uebel (Gestão) não participará da campanha eleitoral, mas poderá sair logo após as eleições para voltar à iniciativa privada.

Já representantes de secretarias de peso, como Alexandre Schneider (Educação), Wilson Pollara (Saúde), Wilson Poit (Desestatização) e Caio Megale (Fazenda) continuarão ao menos até dezembro, que foi o prazo combinado entre Doria e Bruno Covas. 

O período de abril a dezembro é considerado probatório tanto para Covas e sua equipe como para os secretários. Caso o novo prefeito ou os secretários não se sintam satisfeitos após a expiração do prazo, trocas deverão ser feitas.


SECRETÁRIOS QUE SAEM E QUE FICAM

Quem deixará o cargo nesta semana e quem pode sair para as eleições

Alguns que ficarão pelo menos até dezembro

  • Caio Megale (Fazenda)
  • Wilson Pollara (Saúde)
  • Alexandre Schneider (Educação)
  • Wilson Poit (Desestatização)
  • Marcos Penido (Serviços e Obras; assumirá Prefeituras Regionais)
  • Sergio Avelleda (Transportes)
  • André Sturm (Cultura)
  • Heloisa Proença (Urbanismo) 
     

PEDIDO

Doria tornou seu pedido público na última reunião do secretariado, na semana passada, em apelo que servia tanto ao vice-prefeito como a alguns secretários que começavam a manifestar intenção de deixar os postos na gestão.

Deixa também a prefeitura o chefe de gabinete de Doria, Wilson Pedroso, para acompanhá-lo na disputa eleitoral.

O caso de Carvalho, que terá seu último dia na prefeitura na sexta-feira (6), destoa. Ele assumiu o cargo de secretário de Prefeituras Regionais em novembro de 2017 no lugar de Covas, que foi deslocado para a Casa Civil. O vice foi transferido após seguidas críticas à zeladoria, especialmente no tocante a buracos no asfalto e falta de varrição.

Para aliados de Covas, a movimentação promovida por Doriaque posteriormente ainda disse que o trabalho havia melhorado com a troca— prejudicou a imagem pública do vice-prefeito. Após esse episódio, a relação entre Covas e Carvalho ficou chamuscada e, por isso, ele dará lugar para Marcos Penido, que atualmente é secretário de Serviços e Obras.

Entre os aliados de Doria, credita-se a saída de Carvalho a problemas pessoais a resolver. Além disso, sua presença é considerada importante na relação com empresários ao longo da campanha eleitoral —ele foi vice-presidente corporativo da construtora Cyrela, onde trabalhou por 12 anos. Imediatamente, no entanto, ele não terá uma função específica a cumprir.

Covas também terá que encontrar alguém para a secretaria da Casa Civil, que ficará vaga com a sua ascensão.

Carvalho será o quinto secretário a sair da gestão Doria. Antes dele, os vereadores Eliseu Gabriel (PSB), então secretário de Trabalho, Gilberto Natalini (PV), da pasta do meio ambiente, Soninha Francine (PPS), de Assistência e Desenvolvimento Social, e Patrícia Bezerra (PSDB), de Direitos Humanos, deixaram seus cargos na prefeitura.

Doria deixará a prefeitura na sexta (6) durante reunião fechada com os secretários e convidados, sem imprensa nem público, na qual passará o bastão para seu sucessor. A discrição preserva o candidato do desgaste de deixar o cargo antes do fim do mandato, em dezembro de 2020. 

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