Covas mexe no gabinete e põe chefe da CET no comando dos transportes

O novo secretário será o engenheiro João Octaviano Machado 

Artur Rodrigues
São Paulo

Prefeito Bruno Covas anuncia novos secretários de sua gestão (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress) - Folhapress

O novo prefeito, Bruno Covas (PSDB), mexeu no gabinete e trocou o comando de cinco secretarias de São Paulo,  ​em uma estratégia para recompor a desgastada relação da gestão de João Doria, seu antecessor, com a base aliada na Câmara Municipal. O anúncio ocorreu nesta segunda-feira (9), seu primeiro dia útil como prefeito da cidade. Em discurso, Covas exaltou a política, na contramão de Doria, que repete ser um gestor, e não um político.

Dois dos nomes anunciados são próximos ao presidente da Câmara, Milton Leite (DEM): o vereador Eduardo Tuma (PSDB), que assume a Casa Civil da prefeitura, e João Octaviano Machado, então presidente da CET e que agora ficará à frente da pasta de Transportes. 

A relação dos vereadores com a gestão Doria, que deixou a prefeitura para disputar a eleição ao governo estadual, se desgastou, principalmente durante a tentativa de aprovação da reforma da previdência --que acabou congelada por 120 dias pelos vereadores, após pressão de servidores.

Outra dificuldade é causada pela sucessão estadual, já que o atual governador Márcio França (PSB) concorrerá à reeleição contra Doria. A coligação de França para as eleições ao governo deve incluir partidos que, hoje, somam 18 vereadores da Câmara. 

As vendas do autódromo de Interlagos e do complexo do Anhembi seguem travadas na Câmara e precisarão de votações com maioria qualificada (37 dos 55 vereadores). Já a concessão dos cemitérios aguarda há seis meses a liberação do Tribunal de Contas.

O novo titular da Casa Civil é vice-presidente da Câmara e tem boa interlocução com vereadores, além de ser um dos mais próximos de Covas entre os parlamentares. Caberá a ele fazer a distribuição de cargos e ouvir pedidos dos vereadores para mudanças em projetos e tentar aprovar o amplo pacote de privatizações proposto pela gestão --esperança para obtenção de verba para aumentar o volume de investimento na cidade. 

Tuma minimizou o desgaste da base e citou a recente aprovação em primeira votação de mudança de zoneamento que faz parte do pacote de venda do Anhembi. "É um governo que tem base, uma base pluripartidária e assim se manterá. É um governo que aceita sugestões dos partidos diversos e aquelas que forem adequadas serão aceitas", disse. 

Já Octaviano assume em momento crucial para os transportes, na reta final da licitação bilionária do sistema de ônibus municipal, que se arrasta desde 2013. "É uma sequência de um projeto que já vinha sendo muito bem conduzido [do lançamento da licitação dos ônibus] e que nós vamos levar adiante conforme estava programado, pelo cronograma inicial, para o dia 16 de abril", disse Octaviano. 

Apesar das mudanças no pessoal e no tom, Covas diz que fará uma gestão de continuidade. "Mudou o prefeito e não muda a rota, imagina o secretariado. Se o prefeito tem o compromisso das mesmas metas, mesmas ações, por que a mudança de secretariado representa algo contrário? Eles assumem sabendo da responsabilidade de implementar as políticas, as ações, as metas que foram discutidas com a população na campanha de 2016", disse. 

Foto mostra novo secretário de Transportes, João Octaviano Machado Neto
Novo secretário de Transportes, João Octaviano Machado Neto - Bruno Santos/Folhapress

Homens de confiança

Ainda como parte das mudanças, dois nomes de confiança de Doria deixaram gestão: Cláudio Carvalho (Prefeituras Regionais) e Anderson Pomini (Justiça). O secretário de Obras, Marcos Penido, assume as regionais e Rubens Rizek Jr., que estava na secretaria estadual de Agricultura, vai para a Justiça. 

Vitor Aly, que ocupava a presidência da SP Obras, assume a pasta de Obras. No lugar dele na estatal, assumirá Maurício Brun Bucker. A CET será chefiada por Milton Persoli, funcionário de carreira que já ocupou vários cargos na prefeitura. 

Considerado um quadro técnico e amigo de Covas, Sérgio Avelleda sai dos Transportes e assume a chefia de gabinete do prefeito, no lugar de Wilson Pedroso. 

Bruno Covas diz que a população pode esperar um prefeito muito presente na rua, lembrando que seu primeiro compromisso foi em uma agenda na Cidade Tiradentes às 7h30 de sábado (7), dia do seu aniversário. 

No entanto, ele avisou que não vai ser visto vestindo roupa de gari pelas ruas. "Primeiro, lembrar que o próprio prefeito João Doria já tinha, no início deste ano, deixado de lado a questão da roupa de gari, utilizando camisetas do Cidade Linda [programa de zeladoria]. Então, portanto, não seria uma mudança de estilo porque ele [Doria] já não usava mais esse uniforme", disse. 

Covas também descartou doar o próprio salário para projetos sociais, como fazia Doria. O tucano chegou a sugerir que parte do salário dos secretários fosse somado numa vaquinha, para substituir suas doações. "O prefeito João Doria não vivia do salário de prefeito. Portanto é impossível para mim fazer esse tipo de doação", disse. Em tom de brincadeira, afirmou que assumiria o compromisso de doar o mesmo percentual do salário que o jornalista que fez a pergunta. 

Político

De manhã, em seu primeiro discurso, Covas citou o avô Mario Covas para defender a atividade política. "Como lembrou Mario Covas, em seu discurso de posse como prefeito de São Paulo, não é sem razão que o vocábulo política encontra a sua raiz na expressão pólis, isto é, cidade", disse. 

O novo prefeito também atacou o personalismo. "É forçoso eliminar da linguagem do poder a primeira pessoa do singular", afirmou. Ele também afirmou ter pressa. "Serão apenas 33 meses para pagar a minha dívida de gratidão [com a cidade]", disse. E ainda citou ainda uma frase de Martin Luther King: " O tempo é sempre certo para fazer o que está certo".

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