Descrição de chapéu Rio de Janeiro

No Rio, negro e morador de favela têm mais medo da polícia, diz Datafolha 

Acusação injusta também varia segundo a cor da pele ou o local onde vive no Rio 

Luiza Franco Júlia Barbon
São Paulo

Enquanto o medo de tiroteios ou balas perdidas é generalizado no Rio, o temor da polícia e de acusações injustas varia conforme a cor da pele ou o local onde a pessoa vive na capital fluminense.

Segundo pesquisa Datafolha realizada há cerca de dez dias na cidade, o receio de ser vítima de violência da Polícia Militar é o que mais separa moradores de favelas (78% têm medo disso) e de outras regiões do Rio (66%).

Também é bastante diferente entre brancos (66%) e negros (73%). A discrepância só não é maior do que os 14 pontos percentuais que afastam os dois grupos quanto ao medo de ter filhos presos injustamente: 81% dos pardos ante 67% dos brancos. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais.

O receio de ser acusado de um crime é outro que é mais comum entre negros e moradores de comunidades. Em uma escala de zero a dez —zero é nenhuma chance de acontecer e dez é muita chance — a média citada pela população das favelas é de 4,3 (contra 3,1) e de 3,8 entre os negros (contra 3,1 dos brancos).

Os medos acentuados refletem a experiência dessa população, segundo a pesquisa. Nesses grupos, é mais comum ter parentes envolvidos com drogas (um terço dos habitantes de favelas têm) e ser vítima de violência de policiais militares (um em cada dez pretos foram no último ano).

O Datafolha também mostra que mais pretos foram atingidos ou tiveram parentes atingidos por bala perdida no período: 12%, em comparação a 6% dos brancos. E que mais moradores de favelas estiveram no meio de fogo cruzado entre criminosos e policiais —37% deles, ante 26%. 

Com o descontrole da segurança pública, a Polícia Militar está matando mais. Após uma queda entre 2007 e 2013, o número de homicídios em supostos confrontos com a polícia está de volta a patamares anteriores aos da gestão de José Mariano Beltrame na secretaria de Segurança (2007-2016). Em 2017, 1.124 pessoas foram mortas pela polícia.

A política de Unidades de Polícia Pacificadora ruiu —estudo da PM cita 13 confrontos em áreas com UPP em 2011, contra 1.555 em 2016. Nesse vácuo, a quantidade de conflitos entre grupos criminosos aumentou.

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