Curto-circuito provocou incêndio em prédio que ruiu em SP, diz secretário

Homem e criança de 3 anos ficaram feridos em cômodo que iniciou fogo

Bombeiros trabalham com retroescavadeira para tirar os escombros do local de desabamento
Bombeiros trabalham com retroescavadeira para tirar os escombros do local de desabamento - Marcelo Justo/ Folhapress
Guilherme Seto Paulo Gomes
São Paulo

​​​O secretário de Segurança Pública, Mágino Alves, afirmou na tarde desta quinta-feira (3) que um curto-circuito foi a causa do incêndio que levou ao desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, no largo do Paissandu, no centro de São Paulo, na madrugada da última terça (1º). 

“Acabo de receber a informação de que sabemos onde começou o incêndio. Foi no quinto andar do prédio, em um cômodo onde moravam quatro pessoas. O incêndio começou em decorrência de curto-circuito, em uma tomada com TV, micro-ondas e geladeira. Não foi briga de casal. O que aconteceu foi fatalidade”, disse o secretário. 

Dois moradores do cômodo sofreram ferimentos e foram levados para o Hospital das Clínicas e para a Santa Casa. Uma das vítimas é uma criança com 3 anos, que estaria em estado grave, segundo o secretário. A outra seria o pai e estaria com dois terços do corpo queimado, mas em estado melhor do que o da criança. 

Após a tragédia, moradores chegaram a apontar a causa do incêndio como uma briga doméstica, que teria sido ouvida, também no quinto andar, pouco antes das chamas se alastrarem. Também foi cogitado um vazamento em um botijão de gás como causa, o que foi descartado agora pelo secretário. 

O secretário também falou que foi instaurado um inquérito policial para apurar possíveis responsabilidades na tragédia. “Acabo de chegar do Deic onde determinei a instauração de um inquérito policial para apurar essas cobranças que são feitas por associações. Mandei investigar essas associações, e não os movimentos que promovem as ocupações, quero deixar isso bem claro", disse.

"O inquérito vai concentrar as investigações sobre essas outras ocupações", completou o secretário. “Ainda  precisamos verificar [quais crimes teriam sido cometidos]. Vai desde estelionato, lavagem de dinheiro, isso vai depender de como vão transcorrer as investigações”.

Ocupado pelo movimento LMD (Luta por Moradia Digna), o prédio abrigava 146 famílias, com 372 pessoas, segundo o Corpo de Bombeiros, sendo 10% dos ocupantes estrangeiros. Desse total, quatro pessoas são consideradas desaparecidas: um homem identificado como Ricardo, uma mulher, Selma Almeida da Silva, e seus filhos gêmeos de 9 anos. 

O incêndio também atingiu outros prédios do entorno —​cinco foram interditados. Um deles corre risco de cair, segundo a Prefeitura de São Paulo. Com cerca de 11 andares, ele ficou com a fachada marcada pelo fogo e teve os dois últimos andares danificados. 

Mais cedo, os bombeiros informaram que a histórica igreja luterana que fica ao lado do edifício que ruiu está condenada e pode ter quedas da estrutura. 

Uma possível demolição não é descartada, mas a decisão de derrubar a igreja só vai ocorrer após análise de engenheiros que não identifiquem nenhuma possibilidade de restaurar a estrutura já comprometida. A igreja luterana foi fundada em 1908. 

PROMOTORIA COBRA ESCLARECIMENTOS

O Ministério Público de São Paulo pediu à prefeitura e aos Bombeiros nesta quinta-feira (3) que esclareçam pontos referentes às inspeções feitas no edifício que desabou na capital paulista na madrugada de terça-feira (1º), após incêndio.

Relatório de janeiro de 2017 feito pela Secretaria de Urbanismo e Licenciamentos da prefeitura apontou três locais no prédio com fiação elétrica exposta e uma entrada de energia improvisada. O Ministério Público quer saber se houve novos problemas detectados e não informados que demandariam a interdição do prédio.

A Promotoria quer saber por que os engenheiros da pasta não informaram que o fosso do elevador estava sendo usado para descarte de lixo e entulho. O acúmulo desses materiais facilita que o fogo se alastre. O incêndio foi causado por um curto-circuito.

O inquérito civil instaurado pelo Ministério Público teve o pedido de arquivamento feito em março deste ano pelo promotor Marcus Vinicius Monteiro dos Santos, mas de acordo com a Promotoria não chegou a ser votado em conselho o seu arquivamento.

Segundo o Procurador-Geral do Estado, Gianpaolo Smanio, "faltavam, na visão do promotor, elementos para analisar". A reabertura após o desabamento é, portanto, para verificar se existem, diz Smanio, "informações faltantes que não foram encaminhadas ao Ministério Público", como a do acúmulo de material no fosso. 

A Promotoria dá ainda dez dias para que o Corpo de Bombeiros informe se encaminhou ofício à prefeitura pedindo a interdição do edifício e demanda ainda que a secretária Heloísa Proença, os dois engenheiros da secretaria que fizeram o referido relatório, o coordenador da Defesa Civil do município e o engenheiro da prefeitura regional da Sé deponham na Promotoria na segunda-feira (7).

Guilherme Seto
Paulo Gomes

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