Descrição de chapéu Obituário Celso Mauro Paciornik (1946 - 2018)

Mortes: Homem de muitos talentos, foi tradutor, poeta e militante

Perseguido e preso pela ditadura, lutou por um mundo mais justo

Celso Paciornik ao completar 70 anos
Celso Paciornik ao completar 70 anos, em 2016 - Acervo pessoal
Flávia Faria
São Paulo

Celso Paciornik era um homem de muitos talentos —muitos mesmo. Dominava das ciências exatas às humanas: cursou arquitetura, engenharia e letras.

Fluente em inglês e francês, fez carreira como tradutor. Trabalhou em jornais (O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil, Valor) e em editoras (Iluminuras, Companhia das Letras, Cosac Naify, LPM).

Traduziu Agatha Christie, Anthony Bourdain, H.P. Lovecraft, Daniel Defoe, Joseph Conrad e, talvez seu maior desafio, William Faulkner.

Muito antes de se aventurar nas letras, porém, Celso foi militante da causa operária. Começou no movimento estudantil, quando se avizinhava a ditadura.

Ficou um ano e meio preso no Paraná, nos idos de 1968, por organizar um encontro de estudantes. Era uma tentativa de retomar, regionalmente, o famoso congresso de Ibiúna da UNE (União Nacional dos Estudantes), fortemente reprimido pelo regime militar.

Nascido em Curitiba, em uma família judaico-polonesa, Celso aprendeu em casa a apreciar o universo das artes e das letras. Leu, ouviu e colecionou, ao longo da vida, uma infinitude de livros e discos.

Dizia-se admirador da música clássica, mas também de Noel Rosa, Pixinguinha e Inezita Barroso. Tinha uma capacidade invejável, diziam seus amigos, de transitar com destreza entre o fantástico mundo popular e o erudito.

Como se todas essas já não fossem habilidades suficientes, ainda era poeta, músico, cozinheiro e exímio jogador de xadrez —e de sinuca.

Morreu em São Paulo, aos 72 anos, vítima de leucemia. Deixa os filhos, Ivan e Cesar, os enteados, Tessa, Elisa e Tiago, e os netos, Maria, Luiza, Nara, Daniel, Alice e Fabiano.


coluna.obituario@grupofolha.com.br

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