Descrição de chapéu tragédia dos sem-teto

Polícia inclui advogado entre desaparecidos após desabamento de prédio

Alexandre de Menezes morava no 10º andar do edifício atingido por incêndio

Advogado Alexandre de Menezes, 40, foi declarado desaparecido no desabamento de prédio no centro de SP
Advogado Alexandre de Menezes, 40, foi declarado desaparecido no desabamento de prédio no centro de SP - Divulgação/ Polícia Civil
Janaina Garcia
São Paulo | UOL

A Polícia Civil de São Paulo confirmou nesta terça-feira (15) mais um desaparecido no desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, no largo do Paissandu, região central de São Paulo. É o advogado Alexandre de Menezes, 40, que morava havia cerca de um ano na ocupação.

De acordo com o delegado Marco Antonio Paula Santos, do 3º DP (Distrito Policial), onde o caso é investigado, familiares de Menezes registraram o desaparecimento na segunda (14). Com a confirmação, subiu para cinco o número de pessoas ainda não localizadas na tragédia, que completa duas semanas nesta terça. As buscas foram encerradas no domingo (13).

Segundo o delegado, a mãe e a irmã relataram que Menezes era alcoólatra e que, durante o tempo em que esteve no prédio, se encontrava aos domingos com a avó, na estação República do metrô.

“Disseram que a avó levava roupas limpas e dava a ele um dinheirinho, porque ele estaria pagando R$ 160 para viver lá no prédio, no 10º andar. Como ela não conseguiu mais contato com ele nos dois domingos após o desabamento [dias 6 e 13], notificaram a polícia sobre isso”, disse o delegado. “Algumas outras pessoas também tinham feito referência a ele, mas faltava a família.”

A mãe e a irmã de Menezes foram encaminhadas ao IML (Instituto Médico Legal) para a coleta de material genético. A amostra será analisada por meio de comparação com a sequência genética de fragmentos de ossos humanos encontrados na semana passada, pelo Corpo de Bombeiros, nos escombros, e ainda não identificados. 

 

No 3º DP, o inquérito apura as causas do incêndio que culminou no desabamento da edificação, que tinha 24 pavimentos. Mais de 30 pessoas já foram ouvidas. Além das causas –testemunhas relataram a ocorrência de um curto-circuito, por exemplo --, a investigação também trabalha com os informes sobre desaparecidos, uma vez que, explicou o delegado, “pode ser que amanhã ou depois elas precisem ser declaradas mortas”.

“Estamos reforçando com as pessoas que estavam no prédio sobre esses desaparecidos –os quais, eventualmente, podem não ter saído do prédio e agora não são mais vistos em canto algum. Se isso não for demonstrado pelas provas, como o exame genético, esse trabalho pode também ajudar a declará-las vítimas fatais dessa tragédia”, afirmou Santos.

VÍTIMAS

Na última quarta (9),a Polícia Civil retirou da lista de desaparecidos o ambulante Artur Héctor de Paula, 45, que havia sido reclamado por uma tia na véspera (8), mas foi localizado na casa de parentes em Belo Horizonte.

Além do advogado listado nesta terça, seguem desaparecidas mais quatro pessoas: a catadora de papelão Selma de Almeida, 40, o casal Eva Barbosa Lima, 42, e Walmir Sousa Santos, 47, e Gentil Rocha de Sousa, 54.

Quatro pessoas que morreram no desabamento foram identificadas: Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro, 38, Francisco Lemos Dantas, 56, e os gêmeos Wendel e Werner da Silva Saldanha, 10, filhos de Selma.

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