Com ajuda de câmbio e de 'brexit', Covas tenta atrair investidores em Londres

Prefeito de SP participou de encontro sobre privatização e concessões na manhã desta terça

O prefeito de São Paulo Bruno Covas, em evento na Embaixada do Brasil em Londres
O prefeito de São Paulo Bruno Covas, em evento na Embaixada do Brasil em Londres - Kim Farinha/Folhapress
Daniel Buarque
Londres

Impulsionado pela desvalorização cambial no Brasil e pelas mudanças políticas no Reino Unido, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), participou na manhã desta terça-feira (12), em Londres, de um evento para atrair investidores ingleses para projetos de privatização e concessões na capital paulista. Segundo ele, trata-se de uma oportunidade para fortalecer parcerias internacionais e dar continuidade ao que foi iniciado por João Doria.

Em seu primeiro discurso na Europa desde que assumiu a prefeitura após a renúncia de Doria, Covas enfatizou que sua administração dará continuidade a tudo o que foi feito pelo seu antecessor. “É o mesmo governo”, disse. 

Segundo ele, este primeiro contato com os investidores está sendo muito bom. “Mostramos que seguimos a mesma linha adotada de desestatização. As pessoas veem os números de São Paulo com bons olhos. A valorização da libra, do euro e do dólar em relação ao real acaba atraindo mais investidores internacionais para este programa, e queremos estabelecer que é um programa aberto, que quer ter parcerias internacionais”, explicou em entrevista após o evento.

Covas também indicou que o momento vivido pelo Reino Unido, com o processo de separação da União Europeia decidido em plebiscito em 2016, também pode ajudar a atrair investimentos para São Paulo. “O que escutei muito aqui é que, por conta do ‘brexit’, o Reino Unido está olhando o Brasil como um parceiro prioritário fora da Europa. É até uma oportunidade.”

Segundo o prefeito o diálogo com o setor privado e as privatizações planejadas pela prefeitura devem render em torno de US$ 1,5 bilhão que devem ser investidos em programas sociais, e que ajudarão a dar a São Paulo um “maior protagonismo nacional e internacional”.

O “SP Investment Day” reuniu cerca de 50 pessoas na embaixada do Brasil em Londres. Além do próprio prefeito, discursaram o secretário de Desestatização na Prefeitura de São Paulo, Wilson Poit, o embaixador do Brasil no Reino Unido, Eduardo dos Santos, o diretor da Apex Alex Figueiredo e o presidente da SP Business, Juan Quirós. Após as apresentações, Covas e sua equipe passariam o resto do dia realizando reuniões com potenciais investidores. O prefeito tem agenda em Londres até a quarta-feira (13).

Durante as palestras, foram apresentadas as oportunidades de investimento em privatizações em São Paulo, com destaque especial para o Anhembi, que, segundo Covas, deve ser levado à Bolsa na primeira quinzena de setembro. O evento apresentou ainda dezenas de outras privatizações da cidade, como o autódromo de Interlagos, o Pacaembu, o Ibirapuera, o sistema de Bilhete Único, mercados públicos e cemitérios.

A apresentação também destacou a privatização de ativos imobiliários em áreas estratégicas, que foram chamados de “mina de ouro a ser explorada” pelo secretário Poit.

Segundo o prefeito, mais de mil ativos imobiliários e propriedades da prefeitura vão ser privatizados. “Nossa administração tem uma grande quantidade de bens imóveis subutilizados e subocupados, o que custa milhões ao orçamento da cidade. Vender esses imóveis para investidores vai reduzir o peso financeiro que ele representa para a cidade”, disse.

Bruno Covas, prefeito de São Paulo, na Embaixada do Brasil em Londres
Bruno Covas, prefeito de São Paulo, na Embaixada do Brasil em Londres - Kim Farinha/Folhapress

“Temos milhares de ativos públicos sem muito controle, administração, documentos ou avaliação de mercado precisa”, disse Poit. Uma empresa vai ser contratada para avaliar esses ativos que devem ser reunidos em um fundo, disse, mas é esperado que sejam vendidos cerca de 2 a 3 mil ativos, no valor de cerca de US$ 1 bilhão, explicou.

Questionado sobre a situação da varrição de rua de São Paulo, que pode ser interrompida na quarta (13) após o vencimento do contrato emergencial, Covas disse que não tem nenhuma novidade. “Propusemos um contrato emergencial e o Tribunal de Justiça suspendeu. Continuamos tentando resolver a questão”, disse.

O antecessor de Covas, João Doria fez uma série de viagens internacionais para oferecer ativos da cidade a possíveis investidores. Com o discurs o discurso de “vender São Paulo”, Doria esteve em destinos asiáticos como Emirados Árabes, Qatar, Coreia do Sul e China. Ele ainda visitou durante o mandato, que durou 15 meses, Portugal, Itália, Miami e Nova York.

Vários estados brasileiros também receberam o então prefeito de SP. Em pesquisa Datafolha divulgada em outubro do ano passado, 49% dos moradores de São Paulo diziam que as viagens de Doria traziam mais prejuízos do que benefícios à cidade.

As propostas de privatizações que justificavam as saídas de Doria da capital paulista perderam força na gestão de seu sucessor. A própria secretaria de Desestatização e Parcerias teve sua atuação diluída com outras pastas nos últimos meses.

CRISE, GREVE E ELEIÇÕES

Em seu discurso, Covas defendeu a atuação da prefeitura de São Paulo durante a greve de caminhoneiros que causou desabastecimento em todo o país. Segundo ele, sua administração agiu de forma rápida e firme para garantir a manutenção de serviços essenciais na cidade. “Fomos um exemplo de como governos podem agir rapidamente a situações sensíveis”, disse.

Em entrevista após o evento, Covas disse que ainda na primeira quinzena de junho deve ser divulgado o tamanho do prejuízo da cidade com a paralisação. “A estimativa da Secretaria da Fazenda é de perda de R$ 150 milhões de arrecadação” de ISS e ICMS, disse.

O prefeito comentou ainda as declarações do seu antecessor, Doria, a respeito da eleição presidencial, durante sabatina da Folha, do UOL e do SBT, na segunda-feira (11). Segundo Covas, Alckmin e o PSDB devem unificar as candidaturas de partidos de centro, “aglutinando nomes como Álvaro Dias, Rodrigo Maia, Flávio Rocha. Temos todas as condições de juntar e disputar uma vaga no segundo turno”, disse.

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