Homem acusado de matar ex-mulher a facadas no DF tem histórico de violência

Rapaz de 21 anos é considerado foragido; mulher era ligada a Ministério dos Direitos Humanos

Rubens Valente
Brasília

O homem acusado de matar a facadas sua ex-mulher, Janaína Romão Lúcio, 30, funcionária terceirizada do Ministério dos Direitos Humanos, tem histórico de violência e foi alvo de sindicâncias quando menor de idade por suposta participação em dois homicídios e roubos.

Janaína foi morta com cinco facadas, segundo uma testemunha, pelo seu ex-marido, o desempregado Stefanno Jesus Souza de Amorim, 21, neste sábado (14) em Santa Maria, cidade satélite de Brasília.

O delegado da Polícia Civil do Distrito Federal que investiga o crime, Alberto Rodrigues, confirmou nesta segunda-feira (16) que Amorim é considerado foragido e tem contra si mandado de prisão expedido no domingo (15) pelo plantão do Tribunal de Justiça do DF. Há duas equipes de policiais atrás de Amorim, segundo o delegado. "Consideramos um caso de feminicídio. Ele queria obrigar a vítima a reatar o relacionamento contra a vontade dela, queria a qualquer custo", disse o delegado.

Stefanno Jesus Souza de Amorim, 21, suspeito de assassinar a facadas sua ex-mulher Janaína Romão, 30
Stefanno Jesus Souza de Amorim, 21, suspeito de assassinar a facadas sua ex-mulher Janaína Romão, 30 - Divulgação/Polícia Civil do Distrito Federal

Janaína e Amorim estavam separados havia cerca de um ano e desde então ele vinha insistindo no reatamento da relação, segundo familiares disseram à polícia. O casal tinha duas meninas com menos de cinco anos de idade. Os detalhes sobre os antecedentes criminais de Amorim não são públicos porque ele era menor de idade quando foi acusado. Em sua página em rede social, ele comemorou, em 2013, a "liberdade".

Em 2014 e abril de 2017, Janaína registrou contra Amorim duas ocorrências por ameaça e violência doméstica. Na última vez, os registros da polícia indicam que ela solicitou medidas protetivas, mas ainda não está claro se a Justiça concedeu a ordem. Os familiares disseram à polícia que Janaína não notificou todas as ocorrências de violência doméstica, que seriam inúmeras e corriqueiras, de xingamentos e humilhações a agressões físicas. Depois da separação, Amorim foi viver no quarto dos fundos da casa de seu tio, em Santa Maria. Segundo a polícia, Amorim estava desempregado e vivia de bicos como auxiliar de pedreiro.

No sábado (14), Janaína permitiu que as crianças do casal passassem o dia com Amorim, o que ele vinha pedindo com insistência. No início da noite, contudo, ele telefonou para a ex-mulher ameaçando matar as duas crianças, caso ela não fosse falar com ele, segundo a polícia. Janaína foi então ao encontro de Amorim.

A cena, segundo a polícia, foi presenciada pelo tio de Amorim. Segundo ele, o casal parecia estar entrando em acordo, e por isso se afastou. Logo depois, porém, ele ouviu gritos e pedidos de socorro. Quando entrou no quarto, seu sobrinho já havia esfaqueado Janaína. Ela foi agredida cinco vezes nas costas e no peito na frente das duas filhas, de dois e quatro anos de idade. O tio disse à polícia que lutou com Amorim e conseguiu tomar a faca. Ele saiu correndo descalço e sem camisa e é procurado pela polícia desde a noite do sábado.

Janaína chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital de Samambaia. Ela era colaboradora do Ministério dos Direitos Humanos na área de assistência a moradores de rua. Segundo o jornal Extra, um familiar de Janaína contou que Amorim continuou ameaçando a família mesmo depois do crime. Ele teria telefonado para a família na manhã desta segunda-feira para exigir acesso às crianças.

A polícia divulgou a identidade e uma fotografia de Amorim para tentar localizá-lo com a ajuda da população. Os telefones do disque-denúncia anônima são 197 e (61) 3207-8571.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.