Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Pescador e PM são baleados em diferentes operações policiais no Rio

Ações nas comunidades começaram no final da noite do domingo (15)

Luis Kawaguti Júlia Barbon
São Paulo e Rio de Janeiro | UOL

 Um pescador foi baleado nesta segunda (16) em uma operação das Forças Armadas e as polícias civil e militar na região do Jardim Catarina e do Morro do Salgueiro, área de favelas considerada o quartel-general do CV (Comando Vermelho) em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

O homem foi levado ao hospital Estadual Alberto Torres durante a madrugada, mas recebeu alta pela manhã. Ao G1, ele contou que uma bala ficou alojada no seu braço esquerdo, outra estilhaçou e uma terceira passou de raspão na altura de sua costela.

"Quando eles escutaram o barulho do meu filho chorando, aí que eles pararam. Se não eles não iam parar. Eles atiraram para poder matar", contou ao portal. Ele disse que estava indo buscar o pescado em Niterói junto com a esposa e o filho, que não havia sinais de que estava ocorrendo uma operação e que os tiros partiram da mata.

O Comando Conjunto, responsável pelas operações no âmbito da intervenção federal no estado, informou que "a narrativa da ocorrência atribui a procedimentos de militares a causa de ferimentos infligidos a cidadão que transitava pela área" e que foi determinada a instauração imediata de um inquérito policial militar para apurar o caso.

A operação nas comunidades começou no final da noite deste domingo (15). A ocorrência de tiroteios foi relatada por moradores em redes sociais e pela organização OTT (Onde Tem Tiroteio), aplicativo colaborativo que monitora episódios de violência no Rio.

Participaram da ação 4.300 militares das Forças Armadas, 120 policiais militares e 80 policiais civis. Segundo o Comando Conjunto, a operação terminou com quatro carros recuperados, seis presos, sete barricadas removidas e armas, munições, drogas e uniformes militares apreendidos.

De acordo com relatos de testemunhas, a avenida Brasil, uma das mais importantes do Rio, foi temporariamente fechada para deslocamento de uma grande quantidade de tropas.

Um dos principais objetivos da ação era verificar denúncias de que a facção criminosa estaria exibindo armamentos nas ruas e realizando tráfico de drogas abertamente. 

Um morador ouvido anonimamente pelo UOL afirmou que o Comando Vermelho vinha cobrando taxa de proteção para comerciantes locais. Ele disse achar muito positivo que os militares estejam voltando suas atenções para a região. Disse porém temer que a mesma situação de medo volte a vigorar na região com a saída das forças de segurança.

Na sexta-feira (13), uma outra operação na região havia prendido quatro pessoas e deixado uma adolescente baleada, sem gravidade.

Últimos confrontos

Também na manhã desta segunda, um confronto no complexo de favelas do Alemão, na zona norte da cidade do Rio, acabou com um policial militar baleado na perna. Ele foi levado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas. 

Segundo a PM, os policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Nova Brasília entraram em confronto com criminosos depois que as bases dos complexos do Alemão e da Penha foram atacadas.
No domingo, cinco pessoas foram mortas em confronto com a polícia no Alemão, também considerado quartel-general do CV.

A OTT afirmou que militares também teriam se envolvido em outra troca de tiros na região da Praça Seca, mas o confronto não foi confirmado pela intervenção. As Forças Armadas têm feito patrulhas na região da Praça Seca enquanto policiais militares do 18º Batalhão, responsável pela região, passam por treinamento.

Na última sexta-feira (13), em uma ação na mesma região, os militares novamente sofreram resistência dos criminosos e entraram em confronto com membros do Comando Vermelho. Um suspeito foi ferido e quatro foram presos.

​Colaboração de moradores

As tropas também estão distribuindo folhetos nos quais pedem a colaboração de moradores para denunciar a localização de suspeitos e armas. Os panfletos oferecem um telefone para denúncias anônimas 021 2253-1177 e uma e-mail para o envio de sugestões e reclamações ouvidoria.intervencao@cml.eb.mil.br.

A distribuição desse material faz parte de um esforço da intervenção para ganhar o apoio da população e combater a ideia de que a presença do crime organizado em regiões pobres teria aspectos positivos à população.

Além dos panfletos, a intervenção tem promovido uma aproximação com moradores por meio da realização de ações comunitárias, em que se oferecem serviços de saúde, odontologia, orientação jurídica e confecção de documentos. Isso ocorre em paralelo a ações ostensivas de força em favelas.

A intervenção trata essas operações como medidas emergenciais, que ocorrem em paralelo a ações de bastidores para reestruturar e reequipar as polícias.

Críticos dizem que elas não resolvem o problema, pois os criminosos voltam a controlar o local assim que os militares deixam a região. Já apoiadores afirmam que elas ajudam a enfraquecer os criminosos e evitam que as facções se consolidem em algumas regiões.

O CV em São Gonçalo e no Salgueiro

O Comando Vermelho é considerado um dos grupos criminosos mais violentos do Rio de Janeiro. A região onde ficam o Jardim Catarina e o Salgueiro foi um dos primeiros alvos das operações ostensivas das Forças Armadas no início do período de intervenção federal no Rio, em fevereiro deste ano.

A região dominada pela facção em São Gonçalo é considerada extremamente perigosa. Quando foi ocupada pela primeira vez durante a intervenção, no início de março, militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica foram recebidos a tiros.

Já o Complexo do Salgueiro foi palco em novembro de 2017, período anterior à intervenção federal, de uma ação de forças de segurança que deixou oito mortos. Membros das Forças Armadas participaram da operação e o Ministério Público Militar investiga se eles participaram do tiroteio que resultou nas mortes. Na ocasião, a polícia e as Forças Armadas disseram que não agiram na região de mata onde as vítimas foram baleadas.

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