Tentativa de assalto na rua Frei Caneca termina com jovem morto

Vítima se assustou e foi baleada; região vive onda de crimes violentos

Rua Frei Caneca, onde uma série de roubos foi registrada neste ano
Rua Frei Caneca, onde uma série de roubos foi registrada neste ano - Patricia Stavis/Folhapress
Artur Rodrigues
São Paulo

Um estudante universitário foi baleado e morreu durante uma tentativa de roubo de telefone celular na noite de domingo (8), na Consolação, na região central de SP. A região vive uma onda de roubos. 

O estudante de direito Maciel Teodoro Junior, 28, estava chamando um carro por um aplicativo quando foi abordado por dois criminosos na rua Frei Caneca, segundo uma testemunha que acompanhava o rapaz. Os homens tentaram roubar o celular do estudante, que se assustou e foi baleado, disse a testemunha.

A Polícia Militar encontrou o rapaz baleado na rua, enquanto era socorrido por pessoas que estavam no local. Ele foi levado para o Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos. 

O celular da vítima foi apreendido pela polícia no local. Os criminosos, que aparentavam ser menores de 18 anos, fugiram num carro, em direção à rua Barbosa Rodrigues. 

O caso deste domingo será investigado pelo 4º DP (Consolação). 

Irmão da vítima, o empresário Rafael Teodoro, 25, afirmou que o rapaz morava em Assis, no interior, e estava na capital a passeio com amigos. 

"Os bandidos chegaram loucos de droga. Ele levou um susto, como se tivesse reagido", disse o familiar. 

Maciel estava no último ano de direito da  FEMA (Fundação Educacional do Município de Assis). "Ele era muito batalhador, juntando moedas para pagar a faculdade", disse.

Maciel Teodoro, estudante de direito, foi assassinado durante assalto na rua Frei Caneca
Maciel Teodoro, estudante de direito, foi assassinado durante assalto na rua Frei Caneca - Reprodução

O crime aconteceu em uma região conhecida pelas casas noturnas e frequentada pelo público LGBT, que vem enfrentando uma onda de crimes.

"A verdade é que São Paulo é uma desgraça. É um risco que não só ele corria, quanto todos que estão aí na rua. Hoje ele veio ser a bala da vez", disse o irmão de Maciel. "As autoridades só vão fazer uma coisa [para combater a criminalidade] quando acontecer com o filho deles". 

Segundo moradores e frequentadores da região, também conhecida como um reduto LGBT, há desde o final do ano passado diversos relatos de roubos praticados por grupos de até dez pessoas que, muitas vezes, já chegam agredindo as vítimas.

De acordo com dados obtidos pela Folha com integrantes da cúpula da segurança paulista, nos três primeiros meses deste ano ao menos 75 roubos foram registrados só na Frei Caneca —acréscimo de 21% em relação ao mesmo período de 2017, quando foram anotados 62 crimes.

Os dados oficiais não conseguem medir, porém, a extensão exata do problema, já que muitas vítimas não procuram a polícia. De quatro casos localizados pela Folha, por exemplo, dois não foram para um distrito policial.

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