A 13 dias do fim, vacinação contra sarampo e pólio atinge só 40% da meta

Com cobertura vacinal abaixo do esperado, governo estuda fazer segundo 'dia D'

Natália Cancian
Brasília

Cerca de 4,5 milhões de crianças já foram vacinadas desde o início deste mês contra sarampo e poliomielite, aponta novo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde. Apesar do avanço nos índices, o total ainda equivale a apenas 40% do público-alvo da campanha nacional de vacinação contra as duas doenças, iniciada em 6 de agosto.

O objetivo é vacinar, até o dia 31 deste mês, 11 milhões de crianças de um ano a menores de cinco anos –inclusive aquelas que estão com a carteirinha de vacinação em dia.

O balanço engloba dados enviados pelos municípios até as 15h30 deste sábado (18), quando ocorreu o chamado “dia D” de mobilização contra a doença. Mais de 36 mil postos de saúde ficaram abertos durante o dia em horário estendido, das 8h às 17h. 

A avaliação entre membros do governo ouvidos pela Folha, porém, é que a adesão à campanha ainda está abaixo do esperado. Em algumas capitais, vários postos ficaram vazios ou com poucas filas.

Só para o dia D, por exemplo, a expectativa do governo era atingir ao menos 60% do público-alvo. Novo levantamento, com dados atualizados, deve ser divulgado ao longo da semana.

"Ainda temos estados importantes com média inferior à nacional", afirmou à Folha o ministro da Saúde, Gilberto Occhi. Segundo ele, o governo já estuda fazer um segundo "dia D" antes do fim da campanha caso os índices se mantenham abaixo da meta, que é vacinar até 95% das crianças. A medida deve ser avaliada em conjunto com as secretarias estaduais de saúde nesta semana.

Ele diz que a pasta estuda novas medidas para aumentar a adesão. "Quando vai chegando o final da campanha, parece que as pessoas procuram mais os postos para vacinação. Temos que avaliar ações de busca ativa e proatividade em creches públicas e privadas", afirma.

Em São Paulo, levantamento da secretaria estadual de saúde aponta que já foram vacinadas 1,1 milhão de crianças contra sarampo e poliomielite, ou cerca de 50% do público-alvo. Até sexta-feira, esse índice era de 40%.

“A vacinação é fundamental para eliminarmos os riscos da circulação destas doenças no estado de São Paulo”, afirmou em nota a diretora de imunização da secretaria, Helena Sato.

REFORÇO NAS DOSES

Neste ano, a campanha de vacinação é “indiscriminada” —ou seja, mesmo crianças que já foram vacinadas no passado devem receber novas doses. O objetivo reforçar a imunização e criar uma barreira de proteção contra o sarampo, doença que vem registrando avanço no país.

Desde fevereiro, já foram confirmados 1.237 casos. Outros 5.731 ainda estão em investigação. A maioria ocorreu em Roraima e Amazonas, estados que registram surtos da doença. Também foram registradas ao menos seis mortes.

O avanço ocorre menos de dois anos após o país receber da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) um certificado de eliminação do sarampo. A situação também trouxe alerta diante da queda crescente nas taxas de coberturas vacinais, o que eleva o risco de retorno de doenças já eliminadas. Em 2017, o Brasil teve o mais baixo índice de vacinação de crianças em mais de 16 anos, conforme antecipou a Folha.

A taxa de vacinação contra a pólio, por exemplo, caiu de 98,2%, em 2015, para 77%, em 2017. Isso significa que cresce o risco de o país voltar a registrar casos de paralisia infantil caso ocorra uma reintrodução do vírus e contato com não vacinados, uma situação que não ocorre desde 1990.

ESQUEMA DE VACINAÇÃO

Durante a campanha, a aplicação das doses tem esquemas diferentes dependendo da situação vacinal de cada criança. Crianças que nunca tomaram nenhuma dose de vacina contra a pólio, por exemplo, devem receber uma dose da VIP (vacina injetável).

Já aquelas que já tiverem tomado uma ou mais doses recebem a VOP (vacina oral), conhecida como gotinha. A ideia é reforçar a imunização contra a doença.

Contra o sarampo, a campanha prevê que todas as crianças recebam uma dose da vacina tríplice viral. A exceção são aquelas que já foram vacinadas nos últimos 30 dias.

Segundo as secretarias de saúde, a vacina é contraindicada apenas para crianças imunodeprimidas, como aquelas submetidas a tratamento de leucemia e pacientes de câncer.

Já crianças alérgicas a proteína lactoalbumina, presente no leite de vaca, devem informar o quadro às equipes de saúde. Neste caso, elas recebem outra vacina contra sarampo, produzida pelo instituto BioManguinhos.

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