Marido suspeito de matar advogada que caiu de prédio no Paraná vira réu

Justiça aceitou denúncia contra professor suspeito de feminicídio

Advogada Tatiane Spitzner, encontrada morta, e o marido, o professor Luís Felipe Manvailer - Reprodução Facebook
Ana Luiza Albuquerque
Curitiba

A Justiça Estadual do Paraná aceitou na tarde desta quarta-feira (8) denúncia contra o professor Luís Felipe Manvailer, 29, acusado de ter matado a mulher, a advogada Tatiane Spitzner, 29.

O despacho foi assinado pela juíza Paola Gonçalves Mancini, titular da 2ª Vara Criminal de Guarapuava (PR), cidade onde a vítima morava com o marido. No dia 22 de julho, Tatiane foi encontrada morta após cair do quarto andar do prédio onde vivia.

Os advogados de Manvailer, agora réu, terão dez dias para apresentar a defesa preliminar e arrolar testemunhas. 

A defesa pediu a transferência do professor da Penitenciária Industrial de Guarapuava para o Complexo Médico Penal em Pinhais (PR), para atendimento psiquiátrico e psicológico.

Segundo a magistrada, a Vara de Corregedoria dos Presídios de Guarapuava já adotou as providências necessárias para análise de eventual remoção. Em ofício, a juíza também solicitou que a delegacia de polícia de Guarapuava continue as diligências investigatórias.

Imagens das câmeras de segurança do edifício, obtidas pela polícia, mostram Tatiane sendo agredida pelo marido antes de morrer.

Antes de entrar na garagem do prédio, o professor para o carro no meio da rua e desfere dois tapas na cabeça da mulher. Pelas imagens é possível ver que ele repete agressões em seguida.

Já no estacionamento do prédio, ele retira Tatiane à força do veículo. Quando consegue retirá-la, ainda a pressiona contra o carro, segurando-a pelo pescoço e a golpeando com mais um tapa no rosto.

Na sequência, enquanto aguardam a chegada do elevador, a mulher tenta fugir.

Manvailer corre atrás e arrasta a advogada até o elevador. Ela tenta fugir mais uma vez, parando em outro andar, mas é impedida de descer e sofre novas agressões. Ao chegarem ao quarto andar, o professor a empurra em direção ao corredor, e ela cai.

As câmeras também registraram o momento em que Tatiane cai da sacada.

As imagens mostram que o marido foi ao térreo e carrega a advogada de volta, utilizando o elevador. Ele retorna para limpar os vestígios de sangue deixados no trajeto.

Pouco depois das 3h, a polícia chega ao local para averiguar o que teria ocorrido, mas Manvailer consegue fugir pela garagem.

O delegado Bruno Miranda Maciozek, responsável pelo caso, afirmou a jornalistas no fim de julho que há indicativos de que a vítima foi esganada pelo marido. Já Manvailer nega ter empurrado Tatiane da sacada do apartamento. Em depoimento, afirmou que ela teria se jogado pela janela durante uma discussão.

Ele foi preso no mesmo dia em que Tatiane morreu, detido após se envolver em um acidente numa estrada nas proximidades de São Miguel do Iguaçu (PR), a cerca de 320 km de Guarapuava.

O professor dirigia o carro da advogada e seguia em direção à Foz do Iguaçu, na fronteira com Paraguai e Argentina.

Ao determinar a prisão preventiva de Manvailer, a juíza ressaltou que testemunhas narraram ter ouvido a vítima gritar por socorro da sacada do apartamento. 

No entendimento da magistrada, a liberdade do acusado poderia tumultuar a colheita de provas. "Tendo em vista que fugiu do distrito da culpa e foi preso quando se dirigia, ao que tudo indica, para outro país", escreveu.

OUTRO LADO

Em nota, a defesa do réu informou que aguarda o resultado de exames periciais no corpo da vítima, no apartamento do casal, nas câmeras de segurança e nos aparelhos eletrônicos apreendidos, assim como a reprodução simulada dos fatos com a participação do acusado. 

"Qualquer posicionamento sobre o caso, seja dos delegados, promotores, advogados de acusação ou de outro profissional (...) estará tratando de hipóteses especulativas, baseadas em fragmentos, que destoam de comprovação técnica científica", diz o texto.

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