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Morte por gripe em 1 mês em SP beira 2017 inteiro, mas segue abaixo de 2016

Estado teve 187 casos de 23 de junho a 24 de julho; técnica cita sazonalidade

Luciano Cavenagui
São Paulo

O número de mortos por gripe no estado de São Paulo em um único mês do inverno foi quase igual ao do primeiro semestre inteiro.

Entre 23 de junho e 24 de julho foram registradas 187 mortes por gripe em São Paulo. No primeiro semestre, foram 206 casos —na soma de 2018 inteiro, já são 393 vítimas.

As mortes em razão da doença praticamente dobraram em 2018 em relação ao ano passado inteiro em São Paulo, quando ocorreram 200 casos. Os dados são do CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica), órgão ligado à Secretaria da Saúde do governo paulista.

Apesar da alta, eles ainda estão distantes do patamar de 2016, quando houve um pico de gripe —naquele ano, entre janeiro e agosto, São Paulo teve 4.842 casos e 775 mortes.

O vírus, segundo especialistas, tem intensidade diferente a cada ano, com mutações diversas. Se em 2017 a temporada de gripe foi mais tímida, neste ano ela retomou com mais força, embora inferior a registrada dois anos atrás.

Neste ano, as mulheres representam 47% das vítimas no estado de São Paulo, sendo que três gestantes morreram.

Os idosos (a partir de 60 anos) fazem parte de um grupo bastante atingido, figurando em 41% dos casos. Outro dado ligado ao perfil das vítimas é que 65% apresentaram algum fator de risco, como outras doenças. Dos mortos, 11% tomaram a vacina.

“Em 2018, temos temperaturas baixas em períodos mais tardios, correspondendo com aumento de casos em julho”, afirma Regiane de Paula, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica. “Entretanto, sobre o acréscimo em relação a 2017, tem a ver mais com a sazonalidade do vírus nos últimos anos”, diz ela.

A análise da diretora do CVE é compartilhada por Renato Kfouri, da Sociedade Brasileira de Imunizações.“A cada ano o vírus se comporta de um jeito, tendo muitas variações e causando mais ou menos mortes por diversos fatores”, diz Kfouri.

Em 2018, o subtipo H1N1 é o que mais está matando no estado de São Paulo. Ele foi responsável por 287 vítimas.

Na capital paulista, a campanha de vacinação contra a gripe, encerrada em 23 de junho, havia atingido menos de 80% do público-alvo até o começo do mês passado —a meta era vacinar 90%.

Números da gripe no estado de São Paulo

393 pessoas morreram neste ano por complicações da gripe

264% é a alta em relação ao mesmo período no ano passado

775 mortes em decorrência da doença, contudo, foram registradas entre janeiro e agosto de 2016. O número é quase o dobro do contabilizado em 2018
Perguntas e respostas

Qual o período de maior incidência da doença? Durante a temporada de frio, entre abril e outubro

Quais são os grupos de risco? Crianças de seis meses a cinco anos, idosos, grávidas, mulheres que tiveram filhos há até 45 dias, indígenas e pessoas com doenças crônicas (diabetes, asma, câncer) ou condições clínicas especiais (respiratórias, cardíacas, renais), entre outros

Quais são os sintomas? Febre, tosse, dor muscular, dor de garganta e no corpo, coriza e irritação nos olhos e nos ouvidos

Fonte: Ministério da Saúde e Centro de Vigilância Epidemiológica de SP

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