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SP tem mais mortes de PMs de folga e menos em serviço no 1º semestre

Estado teve alta de 32% de agentes feridos fora do horário de trabalho

Alfredo Henrique
São Paulo | Agora

O número de policiais militares mortos e feridos durante a folga no primeiro semestre deste ano aumentou em comparação ao mesmo período do ano passado no estado de São Paulo. Já os agentes baleados e que morreram em serviço diminuiu.

Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública, da gestão Márcio França (PSB), referentes aos meses de janeiro a junho deste ano, o número de militares mortos e feridos fora de serviço passou, respectivamente, de 15 para 19 (alta de 27%) e de 60 para 79 (32%). Já o de PMs feridos e mortos durante o trabalho diminuiu de 88 para 78 (queda de 11%) e de 7 para 5 (29%).

Guaracy Mingardi, analista criminal e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirma que, com exceção de crimes em razão de relacionamentos pessoais, “três motivos básicos” são “os mais comuns” para que policiais sejam mortos ou feridos fora de serviço.

O policial militar Wesley Fernando Parron, 24, foi morto a tiros, no Jardim Souza, zona sul de São Paulo
O policial militar Wesley Fernando Parron, 24, foi morto a tiros, no Jardim Souza, zona sul de São Paulo - Avener Prado 09.ago.13/Folhapress

“O primeiro é quando o policial está fazendo bico, outro é resistência a roubos e, por fim, quando o policial é alvo de vingança de criminosos.

”Para o especialista, a baixa remuneração dos PMs faz com que trabalhem fazendo a segurança de estabelecimentos, deixando os agentes “mais vulneráveis” a eventuais ataques de bandidos. “Se ocorre um roubo onde o PM faz bico, ele precisa agir para não perder o serviço, e acaba morrendo”, diz. O salário para soldado de segunda classe é de R$ 3.049,41.

FARDA

O fato de os policiais não usarem farda quando vão embora para casa, medida tomada para evitar que criminosos os identifiquem, acaba contribuindo para as mortes nas folgas, pois bandidos os abordam sem saber que eles são agentes, afirma. Segundo ele, a ação de facções criminosas também deixa os policiais mais vulneráveis durante a folga.

A reportagem procurou a Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar de São Paulo, para que a entidade comentasse os dados, mas não obteve resposta.

A PM, sob a gestão Márcio França (PSB), afirmou em nota que “a dinâmica” dos casos em que policiais são mortos fora de serviço “é bem distinta”. “Nesse momento ele [PM] não se encontra amparado pelo aparato policial.”

A corporação atribui a queda de mortos em serviço a “diversos investimentos” para aumentar a segurança e “melhorar a técnica” de seus agentes. “Entre as medidas, vale citar a aquisição e disponibilização de equipamentos”.

ROTINA

Em 17 de abril de 2013, o sargento Manoel Fernando Azevedo, 53, foi jogar sinuca em um bar no distrito de Vicente de Carvalho, no Guarujá (a 82 km de SP), como costumava fazer na folga.

“Mas havia bandidos esperando ele, dentro de um carro. Quando meu marido estava jogando, saíram três encapuzados [do veículo] e, com fuzis, atiraram mais de 15 vezes contra ele”, diz a viúva de Azevedo, a enfermeira Vivian Paula Domingos, 40 anos. Eles eram casados havia 14 anos.

Um suspeito do crime, de 35 anos, foi preso três dias depois, segundo a enfermeira, mas foi solto posteriormente, por falta de provas.

Vivian afirma que o marido era conhecido na cidade por causa de sua atividade como policial. Isso, segundo a enfermeira, incomodava a “bandidagem” que “estudou” a rotina do PM. “Ele recebia muitas ameaças de morte por causa do trabalho dele. Foi pego de surpresa.”

O ex-soldado Márcio Veronesi, 44, trocou tiros com um ladrão que tentou o assaltar, em 23 de julho de 2009, quando chegava em casa, na Freguesia do Ó (zona norte), após curtir seu dia de folga. Foi baleado nas costas. “Parei de sentir minhas pernas”, afirmou o agora cadeirante. O bandido fugiu.

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