Sumido, Zé Gotinha é resgatado diante de baixa adesão para vacinação

Personagem de 32 anos tenta estimular prevenção contra a pólio e o sarampo

O personagem Zé Gotinha em lançamento da 20ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe
O personagem Zé Gotinha em lançamento da 20ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe - Valter Campanato/Agência Brasil
Angela Pinho
São Paulo

A dificuldade de cumprir metas de vacinação colocou em evidência no Brasil um personagem que andava meio sumido.

Com 32 anos, sete presidentes no currículo e uma história pouco conhecida pelos meandros da administração federal, Zé Gotinha ganhou papel central na campanha contra a poliomielite e o sarampo.

No momento em que a imunização oral contra a pólio entrou no centro da campanha, o boneco em formato de gota virou presença certa em campanhas de mídia e mobilizações de estados e municípios.

Algumas das aparições viralizaram na internet. Seja por flagrarem Zé Gotinha em plena infração de trânsito, como em vídeo do Ministério da Saúde em que ele corria ao lado de um carro (a animação depois foi retirada do ar), seja porque, em alguns outros casos, as fantasias eram tão precárias que ganharam feições assustadoras.

Para o que realmente importa, que é a mobilização para a ida aos postos, o efeito do personagem também é muito significativo, afirma Helena Sato, diretora de imunização da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.

Não à toa, o boneco que a secretaria já tinha há um bom tempo deixou o almoxarifado para aparecer em diversas unidades de saúde, e uma nova versão dele vai ser encomendada para o ano que vem.

“Não dá para abrir mão, ele faz muito sucesso com as crianças”, diz Sato. Para ela, o sucesso do Zé Gotinha está no fato de as mães associarem o personagem ao dia da vacina e a uma coisa boa —não a injeções e doenças, por exemplo.

Coordenadora da imunização na Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, Maria Lígia Nerger concorda e avalia que o personagem ganhou mais evidência pelo fato de a campanha atual ter como uma das prioridades a vacina da pólio, que tem uma versão oral.

Mobilizações anteriores também se valeram do personagem, mas ele não tinha o protagonismo de agora.
O foco atual na pólio, ao lado do sarampo, foi definido após a constatação da baixa cobertura vacinal contra a doença no país. No ano passado, o índice ficou em 77%.

Neste ano, mesmo as crianças que já tinham sido imunizadas têm que voltar aos postos. Isso porque a atual campanha é “indiscriminada”, ou seja, mesmo as que estão com a carteirinha de vacinação em dia devem receber novas doses de reforço para garantir o bloqueio das doenças.

Apesar das propagandas e mobilizações, porém, a vacinação ainda está longe da meta de 95% das crianças. Segundo o Ministério da Saúde, até terça (28), 70% das crianças foram imunizadas. Diante disso, a pasta orientou prefeituras e governos a abrir os postos neste sábado (1º).


Campanha nacional de vacinação 

Período Até 1º/9. Pode haver prorrogação em alguns estados e municípios

Vacinas oferecidas  Poliomielite e tríplice viral (protege contra caxumba, sarampo e rubéola)

Público alvo Crianças com idade a partir de 1 ano e menor que 5 anos, ainda que já tenham sido vacinadas contra essas doenças

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.