Aluno atira e deixa 2 feridos em colégio no Paraná; nenhum corre risco de morte

Estudante de 15 anos foi apreendido pela polícia; caso ocorreu em Medianeira, oeste do estado

Estelita Hass Carazzai
Curitiba

Um estudante de 15 anos atirou contra colegas em um colégio no Paraná nesta sexta-feira (28), deixando dois feridos. 

O adolescente e um colega que lhe deu cobertura, ambos apreendidos pela polícia, cursam o primeiro ano do Ensino Médio no Colégio Estadual João Manoel Mondrone, em Medianeira (oeste do Paraná).

“Foi um atentado premeditado”, segundo informou a Polícia Civil. Os adolescentes afirmaram que sofriam de bullying, e o ataque seria uma forma de se vingar dos colegas.

“Seus filhos me humilharam, me ameaçaram, me expuseram de uma maneira que não tem mais perdão”, afirma o estudante, em um vídeo divulgado pelo Paraná Portal e que teria sido gravado horas antes do ataque.

Com uma respiração ofegante, ele se diz “muito ansioso” e pede “desculpas pelo incômodo que vai causar”.

“Eu quero que o meu rosto seja mostrado na TV. Que os repórteres de redes de TV não falem merda. Falem apenas a verdade. Não inventem história. Não é culpa de videogame, de livro, não é culpa de bosta nenhuma. É apenas culpa desses filhos da puta”, afirma o adolescente, citando os colegas.

Além da arma usada no ataque (um revólver calibre 22), foram apreendidos com os atiradores uma faca, munição e duas bombas caseiras, que não chegaram a ser detonadas. Outras duas espingardas, que não foram usadas, foram apreendidas na casa de um dos adolescentes.

Imagem mostra armas, munições e bombas
14º Batalhão da Polícia Militar do Paraná apreendeu armas, munições e bombas com adolescente que atirou contra colegas em Medianeira, no Colégio Estadual João Manoel Mondrone - PM-PR/Divulgação

Os adolescentes detonaram uma terceira bomba caseira e fizeram diversos disparos pela escola, gerando pânico e correria. Por fim, chegaram a atirar contra policiais militares antes de se render.

Segundo a secretaria da Educação, uma das vítimas levou um tiro nas costas, e outra, um tiro de raspão no joelho.

O atirador mirou a arma no primeiro estudante, de 15 anos, que foi atingido nas costas. Depois atirou a esmo e acabou acertando o outro colega.

As duas vítimas foram encaminhadas a um hospital e não correm risco de morte.

O primeiro garoto, porém, corre o risco de ficar paraplégico, já que a bala se alojou na coluna. Ele deve ser transferido a um hospital em Curitiba ainda nesta sexta, onde passará por uma cirurgia para retirar o projétil.

Os atiradores foram encaminhados para a delegacia de Medianeira. Na mochila de um deles, os investigadores encontraram um bilhete, que foi encaminhado para perícia. 

As aulas na escola, que tem cerca de 1.300 alunos, foram suspensas até segunda-feira (1). Em nota, a direção do Colégio João Manoel Mondrone informou que os alunos envolvidos no ataque não haviam registrado nenhuma queixa de bullying até então, e que tinham um desempenho escolar normal. 

“Eles apresentam um desenvolvimento escolar regular com acompanhamento da família, sem registros de indisciplina ou qualquer fato que desabone sua conduta”, diz a nota.

O colégio ainda informou que irá intensificar ações de respeito às diferenças entre os alunos.

CASO DE GOIÁS

Em outubro do ano passado, um caso semelhante chocou todo o país. Em Goiânia, um adolescente de 14 anos atirou em colegas de sala no colégio Goyazes. No ataque, no qual ele utilizou a arma da mãe –que é policial militar–, dois alunos de 13 anos foram mortos e outros quatro ficaram feridos. Uma adolescente de 14 anos que ficou paraplégica.

O estudante foi condenado pela Justiça de Goiás a três anos de internação. Além da pena, o adolescente tem de se submeter, a cada seis meses, a uma avaliação da Justiça em relação a comportamento e às condições gerais de momento.

O jovem confessou o crime e afirmou que cometeu o ataque por ter sofrido bullying pelos colegas. Ele disse à polícia que se inspirou nos massacres de Columbine, nos Estados Unidos, e de Realengo, no Rio de Janeiro.

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