Brasileiro morre atacado por tubarão enquanto surfava nos EUA

Parentes organizaram vaquinha online para pagar por traslado do corpo ao Brasil

Jovem em campo de girassóis
O surfista Arthur Medici morreu nos EUA após ataque de tubarão - reprodução Facebook
Adriano Wilkson
São Paulo | UOL

O estudante brasileiro Arthur Medici, de 26 anos, morreu após ser atacado por um tubarão enquanto surfava na praia de Newcomb Hollow em Cape Cod, Massachusetts, nos Estados Unidos. O ataque aconteceu na tarde de sábado, mas a polícia local confirmou a morte do brasileiro neste domingo (16).

Arthur era de Vila Velha, no Espírito Santo, e morava em Revere, uma cidade de 53 mil habitantes em Massachusetts. Ele tinha ido aos Estados Unidos para estudar engenharia e adorava atividades ao ar livre e esportes, como o surfe. No momento do ataque, ele estava na água com o irmão de sua noiva.

“Um suposto tubarão branco atacou Medici”, informou o “National Park Service”, órgão do governo americano. “O senhor Medici morreu em decorrência dos ferimentos do ataque. Ele foi tirado da água e levado ao hospital de Cape Cod, onde foi declarado morto.”

Segundo uma amiga da família que conversou com a reportagem, a mãe de Arthur está desolada e uma prima que mora em Boston está cuidando da burocracia que envolve o traslado do corpo do surfista para o Brasil. Os parentes do brasileiro estão organizando uma vaquinha online para arcar com os custos do transporte. Até a tarde deste domingo, a campanha já havia arrecado US$ 16,5 mil (R$ 69 mil), mais que a meta estipulada.

Arthur foi a primeira vítima fatal de um ataque de tubarão em Massachusetts em 80 anos, embora em agosto outro homem tenha ficado ferido após sofrer uma mordida no local. Segundo moradores, tubarões têm sido vistos recentemente no balneário, que fica a cerca de 150 km de Boston. Uma placa pede aos banhistas para serem “inteligentes em relação a tubarões”.

Após a morte do brasileiro, a praia foi interditada para a natação e o surfe.

Imagens de redes sociais mostram a movimentação de banhistas que socorreram o brasileiro, que recebeu massagem cardíaca antes de chegar ao hospital. Socorristas também tentaram fazer um torniquete para contar a hemorragia decorrente das mordidas.

Joe Booth, um pescador e surfista local, disse que estava na praia quando viu Arthur chutar algo atrás dele e de repente subir da água a cauda de um animal. “Eu estava na areia gritando ‘tubarão, tubarão’”, disse ele à estação WBUR, serviço da NPR, a rádio pública americana.

Um surfista da Califórnia disse ao “Boston Globe” que viu Arthur inconsciente e sangrando bastante na perna direita.

Já Andrew Jacobs, que costumava dar aulas de surfe e hoje é vendedor de ostras na região, afirmou ao “Boston Herald” que os tubarões têm se aproximado da praia para caçar focas. “Eu fiquei preocupado com isso há um tempo. Você vê tubarões sempre que surfa, e às vezes até no inverno. Eu era professor de surfe, mas isso se tornou uma ocupação perigosa.”

Para a salva-vidas Hayley Williamson, pouco poderia ser feito para evitar a morte de Arthur. “Nós estávamos surfando a manhã inteira e eles estavam só um pouco mais para baixo. Lugar certo, hora errada”, disse ela.

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