Jovem morre após ser espancado no largo São Francisco, em SP

Atléticas da USP faziam festa no local; organizadores dizem que não há envolvimento de estudantes

São Paulo

​Um jovem de 29 anos morreu após ser espancado por quatro rapazes na madrugada deste sábado (29), no largo São Francisco, na região central de São Paulo, em frente à Faculdade de Direito da USP.

No local ocorria uma festa universitária realizada pela atléticas XI de Agosto (da faculdade de direito), e  Visconde de Cairu, da FEA ( Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade). 

O espancamento, registrado por câmeras de segurança, durou cerca de um minuto. As imagens mostram quatro homens agredindo o rapaz, identificado pela polícia como Fernando Celestino de Jesus.

O jovem foi encontrado caído por policiais com um ferimento na cabeça e inconsciente. O Samu foi chamado, e a equipe constatou a morte de Fernando no local.

Homem morre após ser espancado no Largo de São Paulo, em SP
Homem morre após ser espancado no Largo de São Paulo, em SP - Reprodução/Globonews

De acordo com o boletim de ocorrência, foram apreendidos com ele três vidros com substâncias líquidas, uma quantia em dinheiro e quatro sacos plásticos com conteúdo que aparentava ser maconha.

Nenhuma testemunha foi localizada pelos policiais.

Segundo a auxiliar de limpeza Luzia Carolina Lima, 39, prima de primeiro grau de Fernando Celestino, ele nasceu na periferia de Barretos, no interior de São Paulo, e começou a usar drogas com 12 anos.

Ele também já havia sido preso por roubo a mão armada, ainda de acordo com Luzia. Cumpriu a pena, voltou para a casa no interior, mas pouco tempo depois, retornou para São Paulo, onde acabou sendo preso pela segunda vez —a família não sabe dizer sob qual acusação. 

Deixou a penitenciária no dia 21 de setembro, mas não procurou os familiares —que, sem notícias, acharam que Fernando estava desaparecido. Eles compartilharam imagens para tentar encontrar o parente até a manhã deste sábado, quando souberam de sua morte. Fernando deixou a irmã e um filho de oito anos.

Em nota, as atléticas afirmam que nenhum dos envolvidos integrava o evento e, que segundo relatos de pessoas que presenciaram o ocorrido, o jovem foi morto após suposto assalto a outros rapazes na região.

"Assim que houve notícia do ocorrido, membros da organização acudiram ao socorro da vítima, disponibilizando a assistência dos médicos das ambulâncias da festa, conforme também registrado pelas imagens das câmeras de segurança", diz o comunicado.

Segundo a nota, a equipe médica do evento constatou a morte da vítima, a e a polícia foi acionada imediatamente.

Um estudante da FEA que estava na festa e não quis se identificar contou à reportagem que, ao ver o corpo embrulhado por uma manta térmica, por volta das 3h, perguntou aos seguranças do evento o que havia acontecido. Como resposta, ouviu que um jovem fugia de um grupo de rapazes, quando foi alcançado e espancado por eles.

Segundo o estudante, os seguranças disseram que não agiram porque não tinham autorização de atuar fora dos limites da festa. Ele afirma que também conversou com um morador de rua que confirmou essa versão.

A morte do jovem foi registrada no 8º Distrito Policial, do Brás. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) prossegue com as investigações por meio de inquérito policial para identificar os autores do crime.

O caso ocorre na mesma semana em que o estado divulgou balanço que aponta que os homicídios atingiram o menor número desde 2002, quando foi iniciada a série histórica.

Em agosto deste ano foram registrados 233 homicídios dolosos.  No mesmo mês de 2002, por exemplo, foram 912 assassinatos, número 75% maior. 

Com essa redução, a taxa de homicídio no estado chegou ao patamar de 7,4 vítimas para cada grupo de 100 mil habitantes. Em 2002, o índice era de 33,1.

No país, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as mortes violentas chegaram a 30,8 crimes a cada grupo de 100 mil em 2017 —foram 63.880 pessoas assassinadas nesse período. O índice inclui homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, mortes de policiais em confrontos e mortes decorrentes de intervenções policiais.   

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.