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Nova música ambiente nos trens é principal queixa de usuários do metrô de SP

Melodia nos vagões tem suscitado reações variadas desde o início da iniciativa, em julho

Passageiros caminham ao lado dos vagões do metrô nesta segunda (17) após falhas nos trens - Marcelo S. Camargo/Photopress/Folhapress
William Cardoso
São Paulo | Agora

O número de reclamações feitas por passageiros do Metrô explodiu em julho. E o motivo está na música de fundo dos trens e das estações das linhas 1-azul, 2-verde e 3-vermelha, que ressoa há pouco mais de dois meses.

Implantada em 10 de julho, a ação "Metrô+Música" foi responsável por praticamente três em cada quatro queixas (72,8%) feitas por passageiros já no primeiro mês, segundo dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.

Foram 1.674 reclamações (ou 80 por dia) das 2.299 recebidas pela companhia no período. Em julho de 2017, quando ainda não havia música de fundo, o Metrô recebeu 469 reclamações no total.

Como comparação, o segundo maior motivo de críticas à companhia em julho deste ano foi a segurança, com 139 queixas (12 vezes menos). Segundo o Metrô, o custo da música nas estações e vagões é de R$ 10.645,71 mensais, por direitos autorais, referentes ao Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição).

A música em trens e vagões atrapalha a viagem da confeiteira Beatriz de Melo e Abreu, 28 anos. “Isso me incomoda da mesma forma que quando alguém ouve música no celular, sem fone. É aquilo que eles sempre proibiram e agora fazem.”

“Entrei, ouvi aquela musiquinha chatinha e decidi comprar um fone ali mesmo para poder escapar. O Metrô fala para não perturbar e ele mesmo coloca música”, afirma a vendedora Kalisy da Silva Pinheiro, 24. 

Bruno Boris, professor de direito do consumidor do Mackenzie, diz que a quantidade de reclamações deve chamar a atenção do Metrô. 

Ele afirma, porém, que é preciso saber, com o tempo, se a música de fato incomoda os passageiros ou se o pico de queixas se deu pela novidade. "Se persistir, é preciso rever a decisão. Quando impõe um tipo específico de música, por mais nobre que seja, a pessoa não é necessariamente obrigada a ouvir", afirma ele.

Boris diz que o Metrô pode ser acionado judicialmente por quem se sinta incomodado, embora a chance de vitória por dano moral seja pequena.

O Metrô, empresa da gestão Márcio França (PSB), disse que a música faz parte de um projeto para "humanizar o ambiente" e que, segundo pesquisa, 79% dos usuários querem que seja mantida nas estações, e 69%, nos trens.

De acordo com a empresa, levantamento antes da implantação mostrou que 73% dos passageiros aprovavam as músicas nos trens, e 75%, nas estações. "A disposição humana de reclamar de algo é muito mais mobilizadora do que a de elogiar", disse a companhia.

Não são todos passageiros que reprovam a novidade. O som durante a viagem é apontado como relaxante pela cuidadora de idosos Eliana Carlos, 41. “A música é muito boa. A gente sai cansada do trabalho, da faculdade e acaba relaxando um pouco. Gosto muito do repertório”, afirma.

​O autônomo Vitor Guimarães, 39, é outro passageiro que defende a música ambiente nos vagões e estações. “Acho bacana, até descontrai. Acalma bastante a gente”, afirma

MÚSICA NO METRÔ DE SÃO PAULO

55 estações devem receber o projeto, que está sendo implantado progressivamente desde julho

142 trens das linhas 1-azul, 2-verde e 3-vermelha terão música até o fim da implantação do programa 

R$ 35 mil é o custo mensal do projeto 

R$ 10,6 mil são gastos por mês com pagamento de direitos autorais

200 músicas compõem a playlist, com ritmos como bossa nova, samba e jazz

3,5 milhões de pessoas passam pelo metrô de São Paulo todos os dias

Fonte: Metrô de São Paulo

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