Prédio comercial desaba após incêndio na região central de São Paulo

Edifício no Pari desabou durante a madrugada; 2 bombeiros ficaram feridos

Clara Balbi
São Paulo

​Parte de um prédio comercial de quatro andares localizado no Pari, na zona central de São Paulo, desabou na madrugada deste sábado (29) cerca de cinco horas após ser atingido por um incêndio. 

O prédio começou a pegar fogo por volta das 19h de sexta-feira (28), na rua Carnot. Vinte e seis equipes dos bombeiros combateram o incêndio e permaneceram no local para fazer o rescaldo. A rua foi interditada nos dois sentidos.

Por volta das 5h30 o fogo foi controlado pelo Corpo de Bombeiros, mas até o meio-dia ainda havia focos de incêndio.

Dois bombeiros ficaram feridos. ​ Um sofreu queimaduras no pescoço e nos braços e teve as vias aéreas atingidas. Foi levado para a UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) no Hospital das Clínicas, onde ainda se encontra, mas sem risco de vida. O outro fraturou o dedo da mão e repousa em casa.

Na hora do desabamento não havia ninguém dentro do prédio e não há registro de outros feridos. 

De acordo com moradores da região, o prédio tinha menos de dois anos. O edifício comercial de quatro andares funcionava como um depósito de produtos de origem chinesa, como artigos decorativos natalinos, entre outros. Segundo o banco de dados do Corpo de Bombeiros, o prédio não tinha o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros).

Ivaldo Sotero da Silva, 63, funcionário de uma padaria em frente ao prédio, diz que no início do incêndio, por volta das 19h de sexta, ele e os colegas acharam que se tratava simplesmente de um vizinho fazendo um churrasco. Rapidamente, porém, o fogo, iniciado na parte dos fundos da construção, alastrou-se pelo restante do depósito.

Moradoras de um prédio residencial próximo ao depósito, a vendedora Cristiane Silva dos Santos, 24, e a assessora de casamentos Márcia Guerra, 40, relatam que logo evacuaram o local.

Elas e outras quatro famílias ocupavam o prédio próximo ao prédio que desabou. Ainda não há previsão de quando as famílias poderão voltar às suas casas. “Já avisaram [os bombeiros] que não deve ser nem hoje, nem amanhã”, afirma Cristiane

Além do prédio de Cristiane e Márcia, outras duas construções vizinhas do edifício atingido pegaram fogo e foram interditadas pelos bombeiros. Nos próximos dias, uma equipe técnica da Prefeitura avaliará se elas apresentam risco de desabamento. Até lá, continuarão com acesso proibido. ​

Largo Paissandu

O prédio comercial que pegou fogo nesta sexta fica a 2,8 km do edifício Wilton Paes de Almeida, que desabou no largo do Paissandu, região central de São Paulo, no dia 1º de maio, causando a morte de sete pessoas e deixando dezenas de famílias desabrigadas. 

A capital paulista tem 53 mil prédios, conforme consta na base de dados do IPTU de 2017, da Prefeitura de São Paulo, tabulada pela Folha. Destes, 24,7 mil foram construídos antes de 1974, período em que os edifícios precisavam ter pouco mais que extintores e hidrantes como equipamentos de prevenção e combate a incêndios.

Em 1º de fevereiro de 1974, um incêndio no edifício Joelma, no centro da cidade, deixou 189 mortos, o que causou profundas alterações nas normas de prevenção a fogo.

Em 2014, uma lei que permitiria que bombeiros pudessem interditar edificações sem condições mínimas de segurança foi aprovada, mas não regulamentada. 

O texto original previa poder de interdição de prédios públicos e privados pelo Corpo de Bombeiros —hoje só possível em caso de desastre iminente. A Assembleia Legislativa aprovou uma versão que permitia instrumentos para inibir as irregularidades, como a aplicação de multas, mas sem fechamento do imóvel. Ainda assim, a ferramenta não entrou em vigor.

Sem esse dispositivo, os bombeiros só podem comunicar as autoridades como prefeitura e Ministério Público. ​

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