Vacinação contra sarampo e pólio atinge 95%; país ainda tem grupos abaixo da meta

Cobertura vacinal entre crianças de um ano ainda está abaixo do ideal, diz ministério

Natália Cancian
Brasília

Após enfrentar problemas de baixa adesão e ter que prorrogar por 15 dias a campanha de vacinação, o Brasil atingiu a meta de imunizar 95% das crianças de um ano a menores de cinco anos contra sarampo e poliomielite.

Os dados são de novo balanço do Ministério da Saúde, divulgado nesta segunda-feira (17). O levantamento mostra que, dois dias após o encerramento da campanha, 95,4% das crianças já foram vacinadas contra a pólio e 95,3% contra o sarampo —índice considerado ideal para prevenção de surtos.

Apesar dos avanços a nível nacional, o cenário de vacinação ainda não é homogêneo no país e em todas as faixas etárias. A maior dificuldade está entre as crianças de um ano. Deste grupo, 88% já foi imunizado. Nas demais faixas etárias, que envolvem crianças de dois, três e quatro anos, a meta já foi atingida.

Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Carla Domingues, uma das hipóteses é que pais tenham deixado de levar os filhos aos postos de saúde por acharem que a aplicação de uma nova dose não seria necessária —a campanha, porém, previa vacinar inclusive crianças que já tenham sido imunizadas

O objetivo é reforçar a proteção contra as duas doenças, corrigir possíveis falhas vacinais —quando a proteção é menor do que a esperada por diferenças no sistema imunológico— e impedir novo avanço do sarampo no país.

O balanço mostra ainda que 1.180 municípios ainda não alcançaram a meta de vacinar 95% das crianças e devem buscar alternativas para atingir a cobertura. 

Ao mesmo tempo, dez estados ainda não atingiram a meta. O alerta é maior Rio de Janeiro, Roraima e Distrito Federal, locais que ainda apresentam índices abaixo de 90%.

Para Domingues, a entrada de um volume grande de imigrantes em Roraima e as dificuldades financeiras enfrentadas no Rio de Janeiro podem ter colaborado para a baixa adesão. Já no DF, os motivos ainda são analisados. Tanto o RJ quanto o DF tiveram a campanha prorrogada até 22 de setembro.

Ainda segundo o ministério, estados e municípios que ainda não informaram dados completos têm até o dia 28 deste mês para informar o total de doses aplicadas durante a campanha. 

Encerrada na última sexta (14), a campanha não será prorrogada a nível nacional. Estados e municípios, porém, têm autonomia para prolongar as ações, caso necessário. 

Nos demais, a vacina continuará disponível nas unidades de saúde, onde é ofertada como rotina.

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