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Com 'muralha eletrônica', cidade da Grande SP acumula 31 meses sem assassinatos

Guararema, exceção entre 39 municípios da região, tem colaboração permanente entre população e poder público

Alfredo Henrique
Guararema

Guararema, a cerca de 80 km da capital paulista, é a única entre as 39 cidades da Grande São Paulo que não registrou assassinatos de janeiro de 2016 a setembro deste ano. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública do estado, atualmente sob a gestão de Márcio França (PSB).

Das 645 cidades do estado de São Paulo, 142 também estão na mesma situação, segundo levantamento feito pela reportagem. Isso representa 22% de todos os municípios paulistas.

“Nasci e sempre morei em Guararema. Sempre me senti segura, nunca fui vítima de nenhum crime. A cidade sempre foi pacata. Os moradores também são solidários uns com os outros e com a polícia. Sou uma pessoa mal-acostumada”, afirma, aos risos, a funcionária pública Lídia Moreira Bueno, 68.

Além da colaboração entre população e autoridades, a segurança do município, sob gestão de Adriano de Toledo Leite (PR), é reforçada desde 2016 por uma “muralha eletrônica”, como diz a prefeitura, constituída por 98 câmeras de monitoramento.

“Monitoramos toda a cidade, trabalhando em parceria com as polícias Civil e Militar. Nossa política é de tolerância zero, incluindo crimes considerados mais leves, como furtos”, diz o secretário municipal da Segurança Pública, Edson Roberto Pinto de Moraes.

Como exemplo, Moraes cita seis furtos de bicicletas, ocorridos em agosto, em que os suspeitos foram identificados e presos por meio das câmeras do chamado CSI (Centro de Segurança Integrada), uma referência ao seriado de televisão sobre investigações criminais.

Apesar de zero registros de crimes de morte em dois anos e sete meses, Guararema não está imune à criminalidade.

De janeiro a julho deste ano, o município registrou sete estupros, 29 roubos em geral e 201 furtos, além de cinco tentativas de homicídio.

Denis Barbosa Miragaia Cintra, delegado titular do único distrito policial de Guararema, afirma que a criminalidade “sempre vai existir” em qualquer cidade. “Mas, em Guararema, a população, a polícia e o poder público trabalham juntos para diminuir cada vez mais os índices”, diz o delegado.

Município especial

O delegado seccional de Mogi das Cruzes, na Grande SP, Jair Barbosa Ortiz, que responde por Guararema, afirmou que o município é “especial”. “Os moradores da cidade se conhecem. Isso cria uma zona de conforto e um freio moral, pois como quase todos se conhecem, não vão querer se prejudicar.”

Sobre roubos, furtos e estupros registrados na cidade, Barbosa diz que “só não há crime, onde não há a mão do homem”. Ele afirma que os crimes contra o patrimônio ocorrem “por conta do turismo”, aos fins de semana.

“Trabalhar em Guararema é um prazer para os policiais, que disputam uma vaga no município. A segurança na cidade é feita em parceria com a população, que contribui com informações para a solução de crimes”, afirma o comandante da Polícia Militar da cidade, o capitão Wilson Galvão Júnior.

O portão da casa da auxiliar de secretária Tânia Mara de Menezes Amaro, 50, costuma ficar destrancado “sem preocupação”, desde que ela trocou a capital pela tranquilidade de Guararema.

“Me mudei de São Paulo para cá faz 25 anos. Aqui é uma paz, um sossego total. Fico muito à vontade e sem preocupações com violência”, diz.

A estudante de pedagogia Camila de Souza Alves, 24, também não se preocupa em trancar a casa. “Aqui é seguro. Ando sem medo de mexer no celular. O muro da minha casa não é alto e, quanto estou lá, deixo o portão destrancado.”

Erramos: o texto foi alterado

A cidade de Guararema (SP) teve 31 meses sem assassinatos, de janeiro de 2016 a julho de 2018, diferentemente do que afirmava a reportagem. Desde então, houve ao menos um crime do tipo.

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