Veja as propostas dos candidatos ao governo de SP para a saúde

Empatados em primeiro lugar, Skaf traz proposta genérica e Doria quer ampliar programa que se mostrou limitado na capital

Cláudia Collucci
São Paulo

Embora a saúde seja considerada tema prioritário para 40% dos eleitores, candidatos ao Governo de São Paulo não apresentam propostas concretas para os principais problemas do SUS nem especificam de onde sairão os recursos para financiar novos projetos para o sistema. 

A conclusão é de uma análise dos programas de governo registrados no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. Boa parte das propostas são uma espécie de "reciclagem" de projetos já apresentados anteriormente.

​Confira, abaixo, as propostas dos candidatos mais bem colocados segundo pesquisa Datafolha.

João Doria (PSDB) 

Proposta — Reedita para o âmbito estadual o Corujão da Saúde, que prevê contratação de exames da iniciativa privada, com objetivo de diminuir a fila de espera. O programa foi bandeira enquanto era prefeito de São Paulo.

Problema — Em São Paulo, o Corujão se mostrou paliativo e limitado. Após a fila de espera ter sido declarada zerada, a demanda por exames voltou a crescer.


Luiz Marinho (PT)

Proposta — Promete criar o Mais Especialidades-SP, exatamente a mesma proposta do ex-ministro da Saúde Artur Chioro para diminuir a fila por especialistas em âmbito nacional. Chioro não conseguiu implantar o plano na gestão de Dilma Rousseff (PT), entre outras razões, por falta de financiamento.

Problema — Não especifica como vai financiar o projeto nem como viabilizará o acesso a especialistas em regiões mais distantes, onde há carência desses profissionais.


Márcio França (PSB)

Proposta — Propõe ampliar o acesso a serviços essenciais de saúde, como a rede Hebe Camargo de Combate ao Câncer e a rede de reabilitação Lucy Montoro. Mesma promessa já constava no plano de governo de Geraldo Alckmin (PSDB), de quem era vice em 2014.

Problema — Além de vaga, a proposta é um “copia e cola” do plano anterior. Não especifica como seria a ampliação nem quanto pretende investir nesses serviços.


Paulo Skaf (MDB)

Proposta — Promete criar o sistema integrado de saúde, plataforma que unificaria a oferta e demanda por serviços. O mesmo plano constava em seu programa de governo de 2014.

Problema — A proposta é genérica, não deixa claro quais são as metas, custos ou como seria essa integração com os municípios, que têm diferentes gestores, e as redes de saúde.

 

RAIO-X DA SAÚDE ESTADUAL EM SP

  • 101 hospitais
  • 60 Ames (Ambulatórios Médicos de Especialidades)
  • 139,5 mil profissionais
  • 104 contratos de gestão de serviços em parceria com OSSs (Organizações Sociais de Saúde)

Procedimentos por ano

  • 72,5 mil internações
  • 50,9 mil cirurgias 
  • 1,3 milhão de consultas ambulatoriais e de urgência
  • 3,5 milhões de exames

Recursos anuais

  • R$ 26 bilhões de orçamento (12% do orçamento do Estado)

Fonte: Planos e governo dos candidatos e Secretaria de Estado da Saúde

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