Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Após crítica de Bolsonaro, futuro ministro da Saúde nega 'OAB para médicos'

Luiz Henrique Mandetta disse que irá defender certificação periódica de profissionais

Nicola Pamplona Natália Cancian
Rio de Janeiro e Brasília

Após receber críticas de Jair Bolsonaro (PSL), o futuro ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, negou que seja favorável a um exame nos moldes de uma OAB para médicos. Disse, contudo, que na sua gestão irá defender um modelo de certificação a profissionais em atividade.

Neste domingo (25), Bolsonaro desautorizou proposta de Mandetta para aplicar a médicos formados exames de certificação do diploma, semelhante ao que ocorre com advogados.

“Sou contra”, disse Bolsonaro, em rápida entrevista após deixar a Escola de Educação Física do Exército, onde participou de cerimônia neste domingo (25).

O presidente eleito criticou o exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que é aplicado aos recém-formados em direito, ao dizer que cria “boys de luxo” para escritórios de advocacia.

Luiz Henrique Mandetta em discurso no plenário da câmara - Democratas/Divulgação

Em entrevista ao jornal O Globo, Mandetta havia proposto o exame para médicos. “As pessoas falam que, se for colocar uma prova para saber se o cara sabe medicina ou não, seria só para o cara de fora. E o médico brasileiro? Eu sou favorável que o médico brasileiro também faça”, afirmou, ao sugerir que o futuro governo levasse a proposta ao Congresso.

Para Mandetta, o ideal é que país passe a adotar um modelo de cobrança e certificação para que os médicos em atividade confirmem sua atualização e qualificação para atuar em algumas áreas.

“Depois de 15, 20, 25 anos, não vamos cobrar nada do indivíduo? É nesse ponto que vamos ter que avançar. Vamos ter que fiscalizar e dizer aos médicos que tem obrigação de ter xis horas [de atualização e capacitação continuada]. Às vezes não é nem prova, é participação em congresso, assinatura de revista indexada, participação em publicação”, disse em entrevista à Folha neste domingo.

Ele cita exemplo de países como os Estados Unidos, o qual, segundo o ministro, é baseado em um comitê de educação continuada. 

Para Mandetta, o Brasil tem muitos médicos capacitados, mas também profissional “que não compra livro, que não vai a congresso nem faz atualizações”. 

“Tenho colegas que me falam ‘eu parei, faço só exames de vista, fechei o consultório’. Mas se ele decidir voltar e começar a fazer cirurgia... Mesmo com 30 anos atendendo burocracia, ele pode fazer uma cirurgia, não tem nada que o impeça. É nesse ponto que a sociedade brasileira vai ter que decidir como vai monitorar isso aí”, afirma.

Ele afirma que deve levar um projeto ao Congresso sobre o tema. O motivo é o aumento no número de médicos no país.

Questionado sobre a proposta de um exame de proficiência para recém-formados,  Mandetta diz que essa não seria a solução.

“É um tipo de prova que não acrescenta nada a sociedade”, avalia. A medida, porém, tem sido defendida por entidades médicas diante do aumento na abertura de cursos de medicina no país e é alvo de projetos de lei em tramitação no Congresso.

Para ele, o ideal seria exigir uma certificação da universidade do que do aluno. “Esses alunos já fazem prova de residência dificílima. Vamos botar uma prova a mais?”, questiona.

Deputado federal pelo DEM de Mato Grosso do Sul, Mandetta foi indicado para o ministério com apoio da bancada da Saúde no Congresso. Seu nome foi confirmado pelo presidente eleito na última terça (20).

Ele vai assumir com a missão de resolver problema de falta de médicos em municípios que eram atendidos por profissionais de Cuba. Os cubanos começaram a deixar o país na última quinta (22) após rompimento do governo cubano com o programa Mais Médicos.

Na última semana, o futuro ministro criticou o programa e disse que era "muito mais convênio de Cuba e PT"

Na entrevista ao O Globo, ele disse que o governo Bolsonaro vai propor a criação de uma carreira para levar saúde a locais de difícil provimento. Defendeu ainda a mudança do programa para Mais Saúde, pois o atual negligência outros profissionais necessários, como enfermeiros e fisioterapeutas.

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