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Corregedoria da PM afasta policiais envolvidos na morte de sushiman em SP

Imagens de câmeras não confirmam versão de PMs sobre ação em legítima defesa

Alfredo Henrique
São Paulo | Agora

A Corregedoria da Polícia Militar afastou dez policiais envolvidos na ocorrência que resultou na morte do sushiman Leandro Santana dos Santos, 26, no dia 21 de novembro no restaurante Jam, onde ele trabalhava havia sete anos, no Itaim Bibi (zona oeste da capital). Um vídeo contradiz a versão dada em depoimento pelos policiais.

Santos teve “um surto”, na versão policial, no final do expediente, às 23h, e chegou a imobilizar um colega de trabalho, por trás, usando duas facas. Também ameaçou funcionários e clientes até a chegada da polícia. A Polícia Civil investiga o que teria motivado a mudança de comportamento dele.

Na ocasião, os PMs envolvidos na ocorrência alegaram que atiraram contra o sushiman em “legítima defesa”. A versão deles foi registrada em boletim de ocorrência.

Fachada do restaurante onde sushiman trabalhava e foi morto por policiais em SP
Fachada do restaurante onde sushiman trabalhava e foi morto por policiais em SP - Reprodução/TV Globo

No entanto, segundo imagens de câmeras de monitoramento do restaurante, às quais o Agora teve acesso, Santos em nenhum momento expôs os policiais a qualquer tipo de risco. As imagens mostram ele sozinho e acuado atrás de um balcão, no mezanino do restaurante.

O sushiman joga um objeto contra os policias, que em seguida chegam atirando com balas de borracha. Outro policial também segura um teaser (arma de choque). “Tudo indica que as balas de borracha não atingiram a vítima”, afirmou o ouvidor das polícias Militar, Civil e Científica, Benedito Mariano.

Após as balas de borracha acabarem, um policial saca sua pistola ponto 40 e atira contra Santos, que cai em seguida no chão. “O uso da arma de fogo, no entendimento da Ouvidoria, foi sem necessidade, desproporcional à ocorrência”, disse.

Segundo laudo da Polícia Científica, o sushiman foi baleado cinco vezes pelas costas. A causa da morte dele foi por “anemia aguda por hemorragia interna traumática”, diz o laudo.

A SSP (Secretaria da Segurança Pública), gestão Márcio França (PSB), afirmou que os PMs “estão afastados das atividades nas ruas”. Acrescentou que o caso é “investigado com rigor e todos os detalhes estão sendo apurados para o devido esclarecimento [do caso]”.

A morte do sushiman é investigada pelo 15º DP (Itaim Bibi) e também pela Corregedoria da PM, que instaurou um Inquérito Policial Militar.

O ouvidor das polícias militar, civil e científica, Benedito Mariano, afirmou que iria encaminhar hoje um ofício ao Ministério Público, para que o órgão também acompanhe o caso.

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