Gestão Covas teme nova crise por Aedes e prevê drones para vigiar casas

Vacinação contra febre amarela na zona norte da capital não atingiu 90% da população

coletiva da prefeitura de SP com Bruno Covas
Prefeito Bruno Covas anuncia plano de combate ao Aedes aegypti para evitar nova crise - Divulgação
Fernanda Canofre
São Paulo


Com medo de um novo pico de contaminação de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti no verão de 2019 , a gestão Bruno Covas (PSDB) anunciou nesta quinta-feira (8) um plano de combate ao mosquito, com 11 mil agentes nas ruas, comitê com 13 setores do poder público e uso de drones para monitorar residências.

Embora as ações visem quatro doenças transmissíveis pelo Aedes (zika, chikungunya, dengue e febre amarela), a principal preocupação é com essas duas últimas, que costumam ter ciclos mais fortes a cada dois ou três anos. 

No caso da febre amarela, apesar das longas filas para vacinação depois do surto no início do ano, a gestão Covas ainda teme pela imunização insuficiente. Embora a meta seja ter 95% da população vacinada, mesmo em áreas que foram foco de campanha, como na zona norte, ela ficou abaixo de 90%. 

A difusão de "fake  news" relacionadas às vacinas também é motivo de preocupação. 

A proposta prevê que os agentes façam um trabalho de porta em porta para conscientizar a população sobre como se dá o contágio e sobre vacinação, além de promover ações de limpeza de possíveis focos de contágio. Segundo o prefeito Bruno Covas (PSDB), 80% dos focos de risco estão em residências.

A Guarda Civil Metropolitana também participará das ações. Além de mobilizar agentes, a pasta de segurança utilizará drones para monitorar residências desocupadas, locais de difícil acesso ou outros imóveis que podem apresentar risco.

Também serão usados mapas de calor para localizar focos e direcionar os trabalhos de combate. Um mosquito infectado pode voar até 200 metros para espalhar o vírus.

“O mapeamento das áreas de risco a gente já tem, o que vai ser importante é a busca ativa. Na semana passada, por exemplo, recebemos a informação de uma casa para alugar, na zona norte, com piscina cheia de água. A gente tem uma capacidade de ação e agilidade para esse tipo de coisas”, explica o secretário municipal de saúde, Edson Aparecido.

A preocupação da gestão Bruno Covas (PSDB) é evitar uma nova crise de contágio como a ocorrida em 2015. Em 18 semanas, os focos de contágio de dengue tomaram diversas regiões da cidade. Ao todo, foram registrados 100.431 casos e 25 óbitos. Só em 2018, já foram registrados 505 casos na capital.

Sobre a febre amarela, de acordo com Solange Saboya, coordenadora da vigilância em saúde, este ano, já houve registro de casos de macacos contaminados em áreas de mata, na cidade de São Paulo.


“O que significa que o vírus está circulando e nós, a partir da prevenção e destas ações, vamos conseguir impedir que haja casos em humanos. O mesmo para a dengue”, explica Saboya.  

A partir de 2013, os contratos de gestão da prefeitura com organizações sociais deixaram de incluir o item exigindo capacitação de técnicos e agentes de saúde. Segundo o secretário de saúde, isso pode ter influenciado na amplitude da crise de 2015. Este ano, a prefeitura retomou a exigência.  

O Aedes aegypti tem um ciclo rápido de desenvolvimento, entre 7 e 12 dias, na fase áquatica —ovo, larva e pupa. O mosquito adulto vive até 30 dias.

Além disso, o inseto também tem alta proliferação - um ovo permanece vivo por até um ano sem água - e alta contaminação - fêmea pode transmitir a doença até 12 dias depois de ingerir sangue infectado.

CAMPANHA QUER COMBATER ‘FAKE NEWS DA VACINA’

Outro foco da campanha será a conscientização da população sobre a necessidade de vacinação, especialmente contra a febre amarela.

A partir da próxima semana, os anúncios irão circular em propagandas de TV, jornais, rádios e redes sociais. Como as publicações na internet podem ser georreferenciadas, elas permitem direcionamento para regiões mais críticas. A ideia é reforçar a importância da vacinação como prevenção, para evitar corridas de última hora, como o que aconteceu no início do ano. 

“Queremos atingir a meta de 95% da população vacinada contra a febre amarela. Um índice que não tem nem mesmo na zona norte, a área onde tivemos uma ação mais efetiva. Hoje, temos menos de 90% da população da região vacinada. Esse número é menor ainda em outras regiões da cidade, na zona leste, não chega a metade da população, na zona central é menos de 25%. Vamos fazer uma busca ativa da população”, afirma o prefeito Bruno Covas.

O médico infectologista e coordenador do plano de combate, David Uip, ressalta que é importante esclarecer a população sobre as “fake news da vacina”. Apesar da possibilidade de efeitos colaterais como febres, dores musculares e raros casos de morte, ele defende que a vacinação ainda é muito “competente”.

“A partir de agora é calor e chuva. Então, estão ações começam agora justamente prevendo o que vai acontecer. Contra arboviroses, não se esmorece nunca. É uma ação de dia a dia, ano inteiro, com picos”, diz.

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