'Mais um pouco morria', diz resgatada de casa em chamas após queda de avião em SP

Avião atingiu imóvel de casal de idosos na zona norte da capital paulista

Neusa Umile Bovolenta, 76, aposentada, perdeu a casa no acidente
Neusa Umile Bovolenta, 76, aposentada, perdeu a casa no acidente - Thaiza Pauluze/Folhapress
Thaiza Pauluze William Cardoso
São Paulo

O serralheiro artístico aposentado João Bovolenta, 83, assistia TV com sua mulher, a aposentada Neusa Umile Bovolenta, 76, quando ouviu o estrondo da queda do avião em frente à casa onde vive, no bairro Casa Verde, na zona oeste de SP.

"Na hora, achei que era uma carreta. Sempre passa carreta nesta rua, desde que desviaram o trânsito.”

O casal estava na sala, terminando o lanche da tarde. “Um bifinho no meio do pão”, quando o forte impacto estremeceu tudo e, em seguida, uma espessa fumaça preta invadiu o cômodo. 

Os idosos, que esperavam o programa do Datena, se refugiaram num sobrado que fica nos fundos do mesmo terreno, e de onde viram tudo queimar. “A casa só não caiu porque construí com uns balancins reforçados, que servem até pra ponte", diz João.

Reprodução da TV Globo de avião de pequeno porte que caiu na zona norte de São Paulo
Casa atingida por avião de pequeno porte que caiu na zona norte de São Paulo - Reprodução/TV Globo

Para Neusa, eles tiveram sorte. "O vento estava soprando para fora. Se estivesse para dentro, contra a casa, a gente teria morrido. Não daria tempo de o bombeiro salvar”, disse.

“Nessa rua passa desde bicicleta até avião, como você pode ver”, afirmou. A relação dela com as aeronaves que sobrevoam sua casa não é nada boa. “Deixei de fazer cooper na avenida (Braz Leme) por causa dessa desgraceira de avião passando baixo”, disse. “Nunca andei de avião. Acho não tinha nem que existir.”

O medo de Neusa é que um avião atinja um posto de gasolina que fica distante 50 metros do lugar onde mora. “Se tivesse caído ali, não sobraria ninguém.”

Sobre a casa incendiada, a aposentada só lamenta e diz duvidar que seja possível reformá-la. “Não tem mais casa. Acabou tudo”, diz Neusa. “Era uma casa feita com amor. Tinha armário embutido que meu marido fez, com madeirinha de lei. O que sobrou foi o banheiro. É um banheiro de cinema.”

Apesar do prejuízo, ela se preocupa mesmo é com a saúde, para que não se repita o infarto que teve há nove anos. “Tô bem”, disse para a enferemeira do Samu. Sua pressão arterial estava em 15 por 10. “Meu normal é 12 por 8. Dá para pegar os remédios lá em casa?”, questionou.

O Fusca 82 verde álamo, que está na família de Neusa e João há “mais de 33 anos”, ficou intacto no quintal da casa. “Meu fusquinha, que bom!”, comemorou ela. “Outro dia tive 12 pau nele. É tudo original, banco de courvin preto, motor original, você não acha [igual]”, se gaba João. O outro carro do casal, um Uno, eles ainda não sabem como ficou. “Mas esse está no seguro, se queimar tudo bem”, diz João.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.