Descrição de chapéu Obituário Gerhard Jacob (1930 - 2018)

Mortes: Físico nuclear, alemão se dedicou a construir pesquisa no Brasil

Jacob também foi reitor da UFRGS e presidente do CNPq

Fernanda Canofre
São Paulo

Em 1936, a Alemanha estava sob o nazismo de Adolf Hitler. Para não ver os dois filhos crescerem naquele país, o médico Jacob decidiu migrar para o Brasil, onde já moravam alguns conhecidos. 

Gerhard, o mais velho, tinha cinco anos, quando via o pai montar em um cavalo e sair atender pacientes na cidade de Giruá, interior do Rio Grande do Sul. Em casa, a família mantinha o alemão e o menino, nascido em Hannover, foi alfabetizado em duas línguas. 

A vocação ele encontrou na Física. Formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, participou do grupo que montou o primeiro reator nuclear da USP. Depois de conquistar uma cátedra no RS, ainda passou por universidades da Europa e foi um dos idealizadores da estrutura do Instituto de Física da UFRGS. 

O ex-reitor da UFRGS e físico nuclear, Gerhard Jacob
O ex-reitor da UFRGS e físico nuclear, Gerhard Jacob - Divulgação

Junto com o professor Thomas A.J. Maris, Gerhard realizou um estudo sobre “espalhamento do quase livre”. Enquanto outros se restringiam às camadas mais externas ou não-ocupadas do núcleo de um átomo, o deles abriu a possibilidade de uma sondagem mais profunda do interior.

Nos anos 1970, um artigo em que ele foi co-autor, sobre o tema dos “quase-livres”, se tornou um dos mais citados da área no mundo. 

Pesquisar era sua paixão. Além de ter sido reitor da UFRGS, presidente do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências, Gerhard também ajudou a aproximar Brasil e Alemanha na área. 

A vizinha da casa da família, em Porto Alegre, tinha uma sobrinha que costumava passar todos os verões na capital. Era Teresa Cristina, sete anos mais nova e do mesmo grupo de amigos com quem ele ia para praia e festas. 

Teresa virou mãe de suas três filhas e foi sua companheira por 62 anos, até o dia 24 de outubro, quando Gerhard morreu aos 87 anos, com problemas de coração e pulmão. “Ele era nosso norte, aquela pessoa que resolve tudo com a maior lucidez. Era fora de série”, diz a esposa. 


coluna.obituario@grupofolha.com.br

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