Projeto de Covas cria calçada lúdica em rota de escola, mas sem meta de expansão

Região da zona sul recebe gradis e jogo de amarelinha em programa com futuro incerto

Criança brinca na calçada de projeto
Projeto da prefeitura cria travessias seguras e lúdicas para crianças e estudantes no trajeto casa-escola-casa - Folhapress
Fernanda Canofre
São Paulo

Com gradis e pinturas nas calçadas, incluindo jogos de amarelinha, a Prefeitura de São Paulo lançou nesta sexta-feira (9) um projeto que visa tornar as rotas de alunos às escolas mais lúdicas e seguras, mas restrito ainda a parte da zona sul e sem nenhuma meta de expansão. 

O piloto do programa Territórios Educadores foi implantado no Campo Limpo, região com tráfego intenso e oito escolas municipais, entre educação infantil e ensino fundamental.

O primeiro teste começou em apenas 100 m, em uma calçada no trajeto da Escola Municipal de Ensino Fundamental Leonardo Villa-Lobos. 

O prefeito Bruno Covas (PSDB) participou da estreia do projeto, mas evitou se comprometer com sua expansão. Afirmou que os próximos passos ainda dependem de uma avaliação da primeira experiência. 

“O custo [deste primeiro projeto] deve ficar em torno de R$ 1 milhão ou R$ 1,5 milhão, vamos avaliar com as entidades de que forma levar isso para outros cantos. A partir do momento que a gente tiver recursos, estimativa e resultados daqui, vamos poder anunciar quantos vamos fazer em 2019”, diz Covas. 

A ideia do projeto é criar um trajeto seguro e lúdico no caminho entre escola e casa, com jogos de amarelinha, mapa que mostra onde fica a região (no caso, Campo Limpo) dentro da cidade de São Paulo e perguntas que estimulam conversa entre as crianças e os pais.

Em um dos muros, uma girafa ilustra medidor de altura de quem parar ao seu lado (desde que a pessoa tenha até 1,40 m). 

“A ideia é que esse trecho seja protegido, que tenha estimulação lúdica. É um espaço para conviverem no percurso. Parte do transporte viário está sendo protegido, ônibus terão adesivo identificando, motoristas e cobradores irão receber treinamento para acolher pais e crianças", afirma o secretário de Mobilidade e Transportes, João Octaviano Machado Neto. 

Ele diz ainda que as próximas regiões a terem sua versão do projeto podem ser a do M’Boi-Mirim (zona sul) e do entorno da Biblioteca Monteiro Lobato, em Santa Cecília (centro). Os locais serão escolhidos conforme grau de vulnerabilidade para quem tem que percorrer trajeto a pé.

Além da ação da prefeitura, na sexta, cerca de 200 voluntários ligados à ONG United Way fizeram trabalho de revitalização na Praça do Campo Limpo, na Creche de Educação Infantil Nathalia Pedroso e no centro de cultura local. Com plantio de mudas, pintura de brinquedos do parquinho e de espaços da própria escola. Os pontos irão funcionar como "estações educadoras" dentro do Territórios. 

A geóloga Marina Del Monte, 33, vive a 4 km de distância da creche que foi recuperada durante ação. No trajeto para buscar seu filho, Max, 3, todas as tardes, ela reveza entre caminhadas a pé, ônibus ou bicicleta. 

Ela conta que enviou diversas reclamações à prefeitura sobre a situação de “abandono das estruturas físicas” da escola, apontando problemas como goteiras, falta de ventilação nas salas de aula durante o verão e de acessibilidade para deficientes. 

“Espero que [esse projeto] funcione, pois teremos mais segurança ao atravessar as ruas e um pouco mais de comodidade para nossos filhos pequenos. Com as faixas pintadas, semáforos funcionando, poderemos ensiná-los o que é cidadania”, diz.

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