Carnaval de SP terá troca de 23 de Maio por avenida Tiradentes em 2019

Marquês de São Vicente também será incluída; folia terá fim dos palcos fixos

São Paulo

A gestão Bruno Covas (PSDB) vai incluir as avenidas Tiradentes (centro) e Marquês de São Vicente (zona oeste) no roteiro do Carnaval paulistano, substituindo a avenida 23 de Maio. 

Grande novidade do último ano, sob João Doria (PSDB), a festa na 23 de Maio foi retirada dos planos para o próximo Carnaval por recomendação do Ministério Público, uma vez que não tem rota de fuga. 

A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha

A avenida Tiradentes contará com o bloco da cantora Claudia Leitte. O outro grande corredor que estreia na folia da capital, avenida Marquês de São Vicente, ainda não tem programação definida.  

Outra mudança será o fim dos palcos fixos, que no ano passado foram em Itaquera (zona leste), Pirituba (zona norte), Largo da Batata (zona oeste) e Anhangabaú (centro). 

O número de desfiles em 2019 deve saltar de 449 para 737.

23 de Maio

A avenida 23 de maio entrou no roteiro do Carnaval paulistano em 2018. Na ocasião, Doria afirmou que testaria esse local para se tornar um circuito comercial carnavalesco similar ao de Salvador (BA). A novidade também foi anunciada como solução para evitar tumulto em bairros residenciais.

O evento reuniu mais de 6 milhões de pessoas, segundo estimativa da prefeitura, mas também recebeu críticas, com a falta de rotas de fuga, tumultos, falha no acesso de ambulâncias, e incômodo a hospitais instalados na região —este último uma das motivações para a mudança sugerida pelo Ministério Público.

O entorno da avenida tem ao menos seis grandes centros médicos. Com janelas voltadas para a 23 de Maio, o Beneficência Portuguesa, na rua Maestro Cardim, foi um dos mais afetados. ​

Ainda assim Doria defendeu os resultados e a manutenção da avenida 23 de maio do circuito dos megablocos na folia paulistana. "Aqui em Salvador, o Carnaval passa na frente dos hospitais. No Rio também. As pessoas têm que compreender. Faz parte da novidade", afirmou Doria na época durante o Carnaval na Bahia. Ele ainda destacou que a festa terminou às 20h. "É um horário que não perturba ninguém."

Sobre a avenida 23 de Maio, relatórios da Polícia Militar e da Guarda Civil apontaram para os riscos causados devido à falta de vias de escape, o que acaba confinando os foliões. Pessoas tiveram de pular pelos obstáculos de concreto que separam as faixas de rolamento. Os corredores de rotas de acesso projetados pela CET (Companhia de Engenharia de Trânsito) também não funcionaram. 

Outra reclamação pontual veio do hospital Beneficência Portuguesa, localizado na avenida, que registrou transtorno na UTI neonatal devido ao barulho intenso de até 186 decibéis dos trios elétricos. 

PINHEIROS

A ideia de prefeitura é descentralizar o Carnaval, com objetivo de ter pulverização das atrações para evitar aglomerações de foliões em pontos específicos, como aconteceu neste ano na região da avenida Faria Lima e do largo da Batata. 

Foram para essas vias que acabaram migrando as confusões causadas por excesso de público presenciadas nos carnavais anteriores na Vila Madalena, que, neste ano, teve forte controle de entrada e saída de foliões nas principais ruas. 

Diante disso, representantes de associações de moradores de Pinheiros e arredores apresentaram ao promotor Martins um abaixo-assinado com mil assinaturas pedindo o ​fim de megablocos e megaeventos na região. Um dos argumentos foi a medição de até 110 decibéis feita em Pinheiros no último Carnaval, o que é incompatível para uma área residencial. 

Houve resistência também de moradores de Alto de Pinheiros, que organizaram um abaixo-assinado, diante da possibilidade de criar um trajeto entre a praça Panamericana e a rua Gastão de Vidigal para desafogar o largo da Batata. 

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