Descrição de chapéu Agora

Em cartas ao Papai Noel, crianças pedem de roupa e bicicleta a até casa na árvore

Em mensagens que chegam aos Correios há ainda uma série de pedidos inusitados

Elaine Granconato
São Paulo | Agora

De um calçado para substituir o chinelo velho na escola, panetone e roupas porque os pais estão desempregados a até bicicletas, videogames e celulares. Esses são alguns dos pedidos que crianças mandaram para o Papai Noel dos Correios e que fazem parte da campanha anual de adoção de cartinhas promovida pela empresa.

Há também os mais inusitados, como uma casa na árvore ou a fantasia dos personagens Chaves ou Kiko, de quem um garotinho de 7 anos diz ser fã: “Esse é meu sonho... Te amo, Papai Noel”, diz ele, em carta.

Ainda dá tempo de tirar o sonho de uma criança do papel neste Natal. Milhares de cartinhas como esta estão à espera de um coração solidário: “Minha casa pegou fogo e perdi tudo. Meu sonho é ter outro violão para tocar na igreja. Minha mãe não tem condições de comprar...”, escreve um garoto.

Na Grande São Paulo, incluindo a capital, o prazo para adotar uma carta vai até sexta-feira (14), em um dos 109 pontos de adoção. Até a quinta-feira, 72.423 cartas com pedidos foram selecionadas e cadastradas nas agências da região metropolitana. Desse total, 40.306 foram adotadas.

“Tem dias aqui que você chora do início ao fim ao ler os pedidos. Algumas cartinhas, sem querer, caem nas suas mãos e contam um pouco de sua história”, diz a funcionária administrativa Cláudia Maria Pereira da Silva, 45 anos, que coordena há dez anos a Sala dos Sonhos na agência dos Correios da Vila Leopoldina (zona oeste).

É ali que as cartas enviadas pelas crianças são diariamente separadas, lidas e selecionadas por funcionários voluntários da empresa e enviadas para as agências.

NOVATA

A enfermeira Valéria Rodrigues da Silva, 36, da Vila Madalena (zona oeste), resolveu participar pela primeira vez da campanha. De cara, adotou 18 cartinhas.

Ela vai contar com a ajuda de uma amiga. “É maravilhoso poder fazer algo para quem precisa”, diz Valéria.

Ao ler as cartas, Valéria se comoveu com o relato de dois gêmeos de 8 anos, que dormem com a avó, após perder os colchões na enchente. Mal sabem os irmãos que o “Papai Noel” levará dois colchões novinhos, além de duas mochilas com materiais escolares e bola.

CARTINHAS

A família paulistana Fernandes é veterana na campanha dos Correios. Pelo menos há sete anos mãe, pai e as duas filhas contribuem na realização dos sonhos de meninas e meninos. O número de pedidos atendidos até hoje não foi quantificado, nem é importante para eles.

“Se cada pessoa adotasse uma cartinha, nenhuma criança ficaria sem ser atendida”, sugere a paisagista Claudia Fernandes, 48.

Ela conta que, na primeira vez, saiu com duas cartinhas. De lá para cá, a quantidade só aumentou. “Você começa a ler e se envolver com as histórias. Sempre me empolgo e saio com mais cartas do que previa”, diz Claudia, aos risos.

Nos últimos anos, o critério utilizado pela família é atender mais crianças, com pedidos mais simples, embora já tenha presenteado, por exemplo, com celular. “Um brinquedo faz falta em toda infância”, afirma ela, mãe de Luana, 18, e de Bruna, 24.

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