Ialorixá mais influente da Bahia, Mãe Stella de Oxóssi morre aos 93 anos

Ela estava internada desde o dia 15 de dezembro com um quadro de insuficiência renal

João Pedro Pitombo
Salvador

Mais importante e influente líder religiosa do candomblé em atividade no país, a ialorixá Mãe Stella de Oxóssi morreu nesta quinta-feira (27) em Santo Antônio de Jesus (108 km de Salvador), aos 93 anos.

Ela havia sido internada no dia 15 de dezembro com um quadro de infecção urinária e insuficiência renal, mas não resistiu e morreu na tarde desta quinta.

Mãe Stella de Oxóssi dedicou 80 anos da vida ao candomblé e comandou durante 42 anos o terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador.

A Ialorixá Mãe Stella de Oxóssi, na Academia de Letras da Bahia
A Ialorixá Mãe Stella de Oxóssi, na Academia de Letras da Bahia - Manu Dias/Agecom

Enfermeira de formação, também era escritora e tornou-se membro da Academia de Letras da Bahia em 2013. Tem seis livros publicados e tornou-se uma referência nas lutas contar intolerância religiosa e contra o racismo.

Fundado em 1910 pela ialorixá Mãe Aninha, o Ilê Axé Opô Afonjá é um dos terreiros de candomblés mais tradicionais da Bahia.

Foi frequentado por baianos ilustres como Jorge Amado e Dorival Caymmi, além do artista plástico argentino Carybé e do fotógrafo francês Pierre Verger, radicados na Bahia.

Mãe Stella é a quinta ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá. Assumiu o posto em 1976, como sucessora de Mãe Ondina, e tornou-se uma das principais líderes religiosas da Bahia.

Com a idade avançada, estava com a saúde debilitada há, pelo menos, dois anos. Sofreu um acidente vascular cerebral, perdeu parte da visão e se locomovia com a ajuda de uma cadeira de rodas.

Desde 2016, não participava de cultos e festividades do terreiro, mas recebia visita de artistas como Gilberto Gil, que tinha relação próxima com a ialorixá.

No ano passado, em meio a uma disputa familiar que chegou à Justiça, Mãe Stella deixou o terreiro e foi morar na cidade de Nazaré das Farinhas, no recôncavo baiano, junto com a sua companheira, a psicóloga Graziela Domini.

A morte de Mãe Stella foi lamentada pelo governador da Bahia, Rui Costa (PT): “Que seus ensinamentos e a paz que tanto pregou continuem sempre conosco. Meus sentimentos aos familiares, amigos e filhas e filhos de santo de Mãe Stella. Sem nenhuma dúvida, vai fazer muita falta à Bahia.

O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), também prestou sua homenagem a líder religiosa, afirmando que esta “era querida por todos” e fazia “parte da cultura, da história e das tradições de nossa terra”.

Com a morte de Mãe Stella, será aberta a sucessão para escolher a nova sacerdotisa do terreiro. No Ilê Axé Opô Afonjá, a sucessão não segue a linha familiar: são os orixás, por meio do jogo de búzios, quem escolhem a nova ialorixá.

A sucessão na qual Mãe Stella foi escolhida em 1976 foi descrita no livro “Bahia de Todos os Santos” por Jorge Amado. Na época, ele afirmou que, com Stella, o axé do Opô Afonjá retornaria “aos dias gloriosos quando a fama da beleza e da pureza de seu ritual, da imponência das festas corria mundo”.

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