Justiça decreta bloqueio de R$ 50 milhões em bens de João de Deus

Médium está preso por suspeita de abuso sexual contra centenas de mulheres

Janaina Garcia
São Paulo | UOL

A Justiça de Goiás aceitou pedido apresentado pelo Ministério Público no estado e decretou o bloqueio de R$ 50 milhões do médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus. Ele está preso desde o último dia 16 suspeito de abusar sexualmente de mulheres durante atendimento espiritual em Abadiânia, interior goiano.

De acordo com o Ministério Público, o bloqueio total decretado nesta quinta (27) diz respeito ao valor de R$ 20 milhões, para reparações de danos a vítimas, e de R$ 30 milhões, por danos morais coletivos. O dinheiro só será utilizado em caso de condenação do médium. O advogado Alberto Toron, que defende João de Deus, afirmou não ter conhecimento da decisão.

"Não vi ainda os termos dessa decisão, nem fui intimado sobre ela, mas isso mostra com clareza que João não havia mexido nos ativos dele –o que havia sido argumentado no pedido de prisão dele. Não havia, portanto, um fundamento válido [para o pedido de prisão aceito pela Justiça]", declarou o advogado. "Quanto à legitimidade do bloqueio, só examinando a decisão [para se manifestar]", concluiu.

Nesta sexta (28), a força-tarefa criada na promotoria para investigar o caso trabalha na redação da denúncia por abuso sexual contra o médium.

Dinheiro apreendido e prisão domiciliar

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, a Polícia Civil localizou uma mala, em um dos endereços do investigado, com R$ 1,2 milhão. No mesmo local, os policiais encontraram somas em dólares e em euros, além de pedras preciosas.

Além do bloqueio de bens, também nessa quinta a Justiça de Goiás converteu em domiciliar a prisão preventiva que havia sido decretada pela posse ilegal de cinco armas de fogo apreendidas durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços associados ao médium. Entretanto, o investigado não deixou a prisão, já que outro mandado de prisão preventiva havia sido decretado por conta das acusações de crimes sexuais.

João de Deus afirma ser inocente. Em um primeiro depoimento ao Ministério Público de Goiás, na última quarta (26), ele disse não se lembrar das três mulheres cujos depoimentos subsidiaram a oitiva dele aos promotores. Também na ocasião, ele negou que atendesse frequentadores do centro em Abadiânia em ambientes separados, como alegado pelas mulheres que o acusam de abuso sexual.

Até a última quarta-feira, mais de 600 mensagens de mulheres que dizem ser vítimas do médium já haviam chegado ao Ministério Público em Goiás, oriundas de outros estados e de seis países.

A defesa de João de Deus recorreu também ao STF (Supremo Tribunal Federal) para libertá-lo. Em parecer ao Supremo, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu a manutenção da prisão preventiva do médium alegando que o habeas corpus solicitado "representa dupla supressão de instâncias do Judiciário", pois o mérito "não foi analisado pelo Tribunal de Justiça de Goiás ou pelo Superior Tribunal de Justiça", instâncias em que a defesa também recorre.

Para a procuradora-geral, a prisão deve ser mantida também face a "risco de fuga e a intenção de dificultar as investigações"; por outro lado, ela defendeu a suspensão do sigilo das investigações.

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