Polícia já fez buscas em mais de 20 locais por João de Deus, diz delegado

Médium não foi localizado, mas polícia não o considera foragido por haver intenção de se entregar

Natália Cancian
Abadiânia

O delegado-geral da Polícia Civil de Goiás, André Fernandes, disse à Folha nesta sexta-feira (14) que policiais já percorreram mais de 20 locais em busca do médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, mas que ele não foi localizado até o momento.

Acusado de abuso sexual, o médium teve a prisão preventiva decretada nesta sexta-feira pela Justiça de Goiás. A decisão atende a um pedido feito pelo Ministério Público do estado, que investiga as denúncias.

Segundo Fernandes, cerca de 15 policiais que fazem parte da força-tarefa responsável por investigar os casos fazem buscas pelo médium em Abadiânia e outros municípios do interior de Goiás.

A defesa, no entanto, sinalizou em contato com a polícia a possibilidade de que João de Deus se entregue ainda nas próximas horas, informa o delegado. Ele afirma que a apresentação pode ocorrer em qualquer delegacia.

Por conta dessa intenção, informa, a polícia ainda não o considera foragido. "Como a prisão foi decretada recentemente, e não há negativa de se apresentar, não trabalhamos com a questão de ser foragido. Mas se ele não aparecer, daqui a pouco isso acaba mudando ", diz. 

Segundo o delegado, as buscas devem continuar na noite desta sexta-feira e madrugada de sábado e também no final de semana. 

A equipe de defesa do médium afirmou que "apenas alguns depoimentos, de poucas vítimas" acompanham o pedido de prisão preventiva, sem nomes. Informa ainda que vai entrar com pedido de habeas corpus porque considera a decisão "ilegal e injusta", mas que isso não exclui a apresentação espontânea de João de Deus.

O advogado Thales Jayme, da equipe, diz que o médium pode se entregar ainda na noite desta sexta.

O CASO

A Justiça aceitou nesta sexta-feira (14) um pedido do Ministério Público de Goiás e determinou a prisão do médium João de Deus, 76, por suspeita de ter abusado sexualmente de mulheres durante atendimentos espirituais.

O médium, que mantém em Abadiânia (GO) a casa de curas Dom Inácio de Loyola, pode ser preso a qualquer momento. Ele está em local desconhecido.​ Foram feitas buscas nos endereços dele em Anápolis, Goiânia e Abadiânia, além de fazendas.

Após dezenas de relatos de mulheres, a Promotoria chegou a criar uma força-tarefa para recolher denúncias das supostas vítimas e diz já ter recebido 335 contatos, com mensagens principalmente por email. O atendimento também incluiu diferentes países, como Alemanha, Austrália, Bélgica, Bolívia Estados Unidos e Suíça. O médium nega as acusações de abuso sexual.

​Os relatos de 13 mulheres foram feitos inicialmente ao programa Conversa com Bial, da TV Globo, e ao jornal O Globo, no sábado (8). Desde então, outras denúncias surgiram.

Na segunda (10), Aline Saleh, 29 contou sua história à Folha"Quem tem de sentir vergonha é ele, e não eu". Ela diz que, em 2013, esteve na casa e que foi levada para um banheiro, posta de costas e que João de Deus colocou a mão dela em seu pênis.  

Em comum, a maioria das mulheres diz que recebeu um aviso de procurar o médium em seu escritório ao fim das sessões em que ele atende aos fiéis. 

No local, segundo as vítimas, João de Deus dizia que elas precisavam de uma “limpeza espiritual” antes de abusá-las sexualmente. Entre as vítimas estariam mulheres adultas, crianças e adolescentes.

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