Promotoria de Goiás diz que já investigava denúncias contra João de Deus

Novas denúncias também serão alvo de apuração a partir desta segunda-feira (10)

Brasília

O Ministério Público de Goiás informou neste domingo (9) que já havia investigações abertas ao menos desde junho deste ano para apurar suspeitas de abuso sexual pelo médium João de Deus.

Segundo a Promotoria, os novos casos que têm sido relatados à imprensa também serão apurados a partir desta segunda-feira (10).

No sábado, no programa Conversa com Bial e pelo jornal O Globo, ao menos 13 mulheres acusam o médium de tê-las abusado sexualmente durante tratamento espiritual dentro do escritório que ele mantém em uma parte separada no local, a Casa Dom Inácio, que recebe mais de mil pessoas por dia. 

Neste domingo, o programa Fantástico revelou ter falado com 25 mulheres que se dizem vítimas do médium. Também ao Fantástico, uma promotora disse ter recebido mais de 200 acusações desde a revelação do caso.

Uma delas, a holandesa Zahira Lieneke Mous, contou que conheceu o local em 2014, quando buscava a cura para o trauma de ter sofrido abusos sexuais no passado. Após pesquisas, sentiu-se à vontade para ir sozinha até a casa.

Na segunda visita à Abadiânia, foi informada que teria uma consulta particular com o médium em um escritório que fica dentro da casa. Ao chegar no escritório, o médium pediu para que ela ficasse de costas, conduzindo-a para um banheiro. Depois, ele teria colocado as mãos dela no pênis dele e fez com que elas se movimentassem. 

Além do relato de Zahira, outras denúncias também têm sido divulgadas. Nesta segunda-feira, o Ministério Público fará uma coletiva para dar mais detalhes sobre os casos.

O delegado de Corumbá de Goiás, área que responde por Abadiânia, Rodrigo Jayme, afirma que deve abrir uma investigação sobre os casos nesta segunda. 

"É um fato gravíssimo que precisa ser apurado. Vamos determinar à Polícia Civil local que empreenda diligências", diz.

Segundo ele, nos últimos meses, a Polícia Civil local não recebeu denúncias contra o médium. Não há informações sobre registros em outras cidades.

Mulheres que relataram os abusos ao jornal O Globo, no entanto, afirmam que tinham medo de represálias e só fizeram as denúncias após saber que mais mulheres haviam passado pela situação.

OUTRO LADO

Em nota enviada ao programa Conversa com Bial, da TV Globo, que relevou o caso, a assessoria de imprensa do médium afirmou o seguinte: "Há 44 anos, João de Deus atende milhares de pessoas em Abadiânia, praticando o bem por meio de tratamentos espirituais. Apesar de não ter sido informado dos detalhes da reportagem, ele rechaça veementemente qualquer prática imprópria em seus atendimentos".

Ao jornal O Globo, a assessoria disse que as acusações são "falsas e fantasiosas" e questiona o motivo pelo qual as vítimas não procuraram as autoridades. Ainda afirma que a situação é "lamentável, uma vez que o Médium João é uma pessoa de índole ilibada".

Ao Fantástico, o advogado de João de Deus, Alberto Toron, disse que o médium nega as acusações, recebidas com indignação. Toron diz ainda que João está à disposição da Justiça para ser ouvido a qualquer momento. 

A Folha tentou contato com a assessoria e com a defesa do médium, mas até o momento não recebeu resposta.

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