Sob vaias do MBL, Eduardo Tuma é eleito presidente da Câmara Municipal de SP

Vereador do PSDB venceu Holiday (DEM), em sessão marcada por manifestação do Movimento Brasil Livre

Guilherme Seto
São Paulo

O vereador Eduardo Tuma (PSDB) foi eleito presidente da Câmara Municipal de São Paulo na manhã deste sábado (15).

A eleição de Tuma, que bateu Fernando Holiday (DEM), era esperada, já que ele contou com o apoio do atual presidente, Milton Leite (DEM), e do prefeito Bruno Covas (PSDB).

Tuma recebeu 51 votos e Holiday ficou com um, dele mesmo. O vereador Gilberto Natalini (PV) se absteve, e os vereadores Sâmia Bomfim e Toninho Vespoli, ambos do PSOL, não compareceram.

Eduardo Tuma (PSDB), eleito presidente da Câmara Municipal de São Paulo neste sábado (15) - Eduardo Anizelli/Folhapress

O processo de votação foi turbulento devido a frequentes interrupções de discursos de vereadores por membros do MBL (Movimento Brasil Livre), do qual Holiday faz parte. Durante a campanha eleitoral, Holiday tentou associar Tuma ao PT ao dizer que ambos já se apoiaram em projetos de lei. 

Com gritos de "A gente sabe o PT é Tuma e não abre" e "São Paulo para frente, Holiday presidente", cerca de 30 manifestantes fizeram com que a sessão parasse seguidas vezes.

O discurso que Tuma fez após a vitória foi praticamente inaudível devido à gritaria. Cada voto de vereadores do PT em Tuma foi ironizado pelos membros do MBL com aplausos. Vereadores chamaram os manifestantes de "manés", "palhaços" e reclamaram de falta de respeito.

Por outro lado, Tuma e Holiday têm relação próxima, e assinam juntos o projeto de lei municipal do Escola Sem Partido, que deve passar por primeira votação ainda em dezembro.

Se os membros do MBL atacaram um vereador que tem trabalhado por pautas que eles defendem, como é o caso de Tuma, vereadores do PT deram seus votos para um candidato que defende bandeiras às quais eles se opõem, como a própria Escola Sem Partido e a reforma da previdência paulistana.

Em tom de brincadeira, o vereador petista Arselino Tatto declarou voto em Tuma e defendeu uma escola que ensine "marxismo", ironizando as críticas do MBL à suposta doutrinação nas escolas por parte de professores.

Em entrevista à Folha, Tuma afirmou que os pilares de sua administração serão "a melhoria na comunicação, na eficiência e na tecnologia, buscando implementar canais de comunicação nas redes sociais para que a população participe mais ativamente da rotina do Legislativo."

Próximo de Leite, que seguirá na Câmara como vice-presidente, Tuma deverá fazer um mandato de continuidade, buscando a aprovação de projetos do Executivo. Membro da igreja evangélica Bola de Neve, ele também deve dar destaque a projetos oriundos da bancada religiosa da Câmara. 

Em 2017, Tuma foi autor de emenda que isentava igrejas de taxas administrativas, e que posteriormente foi vetada pelo então prefeito João Doria (PSDB). O vereador também é autor do projeto Escola Sem Partido em âmbito municipal, que ainda será votado.

A vereadora Rute Costa (PSD) foi eleita segunda vice-presidente da Câmara, o vereador Reis (PT) foi escolhido para primeiro secretário, e Isac Felix (PR) para segundo secretário. ​

Tuma, 37, é um dos membros mais jovens de tradicional linhagem política paulista, da qual despontam o ex-senador Romeu Tuma, seu tio; o ex-secretário nacional de Justiça Romeu Tuma Júnior, seu primo; e Renato Tuma, seu pai, que foi secretário de Administração da gestão Celso Pitta.

Como chefe do Legislativo nos últimos dois anos, Milton Leite foi um firme apoiador dos projetos do Executivo ao longo do ano, tendo ajudado especialmente na aprovação dos projetos do pacote de desestatizações, incluindo as concessões do estádio do Pacaembu, do Mercadão, dos parques, e da privatização do Anhembi. 

O fato mais marcante de sua gestão, no entanto, deve acontecer nos últimos dias de dezembro, quando tentará a aprovação da reforma municipal da previdência, prioridade da gestão Covas. O processo deverá deixar tensões nas relações entre vereadores e servidores, deixando para a Tuma a missão de tentar colocar panos quentes.

Tuma foi secretário da Casa Civil de Covas durante sete meses, tendo deixado o cargo no início do mês para concorrer à presidência da Câmara.

Em agosto, Tuma teve seu sigilo bancário e fiscal quebrado a pedido do Ministério Público Estadual, que o investiga por suposto enriquecimento ilícito. Segundo o MPE, o patrimônio de Tuma teria saltado de R$ 89 mil para R$ 2 milhões entre 2012 e 2016. O vereador nega a acusação, diz que não houve tal variação patrimonial e que entregou todos os seus dados fiscais voluntariamente. Ele também afirma que a representação que foi feita contra ele está relacionado à CPI dos Grandes Devedores da qual ele foi um dos representantes.

Advogado, Tuma é doutor em Filosofia do Direito e professor universitário.

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