Após interdição de ponte, paulistanos escolhem trem para chegar até Guarulhos

Acesso à rodovia Dutra foi fechado após a prefeitura constatar uma ruptura em viga

São Paulo

Para driblar o trânsito causado pela interdição da ponte na Marginal Tietê e não perder o voo, paulistanos decidiram andar de trem pela primeira vez para chegar até o aeroporto de Guarulhos. 

A ponte, que dá acesso à rodovia Dutra e ao aeroporto, foi fechada nesta quarta (23) após a prefeitura constatar uma ruptura grave em uma viga de sustentação. Ainda não há previsão de reabertura. 

A economista Joseany Muniz, 30, pegou pela primeira vez um trem para o aeroporto. Ela viaja para Maceió às 18h.

“Meu chefe até me liberou uma hora mais cedo, às 15h, porque sabia que o trânsito estaria um caos”, conta.

Ela saiu da avenida Paulista, na região central da capital. O trajeto incluiu dois metrôs e dois trens e durou cerca de uma hora.

A estação de trem Aeroporto-Guarulhos fica a menos de 1 km do terminal de embarque do aeroporto. A CPTM disponibiliza um ônibus gratuito de conexão. O tempo de percurso é de 3 minutos até o terminal 1 e de, 9 minutos até o 2 e 12 minutos até o 3. 

O sommelier Bruno Xavier, 28, com viagem para Santiago marcada para as 18h, também ficou preocupado com a notícia sobre a ponte e optou pelo trem. “Queria evitar problemas”, conta, correndo para pegar o ônibus de conexão, por volta das 16h30. Segundo ele, a primeira experiência foi muito boa.

“Quem não vem de transporte público é besta, quer perder tempo e dinheiro”, diz Julia Brito, 40, que trabalha no ramo de viagens. Acompanhada dos dois filhos, de 2 e 9 anos, e do marido, irá para Minas Gerais. De Santana (zona norte) até a estação do aeroporto, levou menos de uma hora. 

Nem todos tiveram uma boa experiência. A psicóloga Daniele Masuda, 23, e o namorado, o farmacêutico Guilherme Brandão, 30, com passagens para a Argentina, não sabiam que precisavam pagar R$ 8,60 ao sair do metrô para fazer a integração com o trem na estação da Luz. 

“A estação estava muito bagunçada e a informação sobre a passagem, mal sinalizada”, diz ela, que saiu da Av. Paulista e chegou em cerca de uma hora. “Não vai rolar de novo.”

Congestionamento

A combinação do feriado, chuva e interdição da ponte na Marginal Tietê gerou transtornos para pessoas que optaram por enfrentar o trânsito para chegar ao aeroporto. Alguns viajantes ficaram horas presos em congestionamentos e houve quem não conseguiu chegar em tempo para o embarque.

Foi o caso da estudante Lara Raymond, 19, e do irmão, Charbo, 17, de Minas Gerais, que ficaram mais de três horas presos no engarrafamento e perderam o voo que os levaria para Belo Horizonte. Não sabiam que a ponte na marginal Tietê que dá acesso à Dutra e ao aeroporto de Guarulhos estava interditada. 

Saíram às 15h30 de Cerqueira César (zona oeste) e só chegaram às 18h30 em Guarulhos. O voo era às 18h. 

“Estou tremendo”, conta, mostrando a mão. “Agora, vamos ter que comprar novas passagens.”

O comerciante Alexandre Klein, 39, também chegou atrasado e perdeu o voo para a Bahia, onde vai passar as férias com a esposa, Tatiane, 36, e o filho, João Victor, 8.

Saíram às 14h de Parelheiros (zona sul), onde moram, e chegaram ao aeroporto apenas às 19h10 —o voo era às 19h30. Compraram novas passagens e embarcam agora às 21h. “Não adianta esquentar a cabeça. Já passou”, diz ele.

A publicitária Carolina Cagno, 30, e a mãe, Maria Cagno, 61, não esperavam enfrentar tanto congestionamento entre o Morumbi e o aeroporto de Guarulhos: foram três horas de viagem, mesmo tendo pego uma rota mais rápida indicada por um aplicativo de GPS, por dentro de Vila Maria. 

Chegaram em cima da hora do embarque para Buenos Aires, às 19h30. O checkin foi uma correria só. 

A programadora visual Carol Paola, 49, corria ofegante pelo aeroporto. Queria descobrir se os tios, de 66 e 68 anos, haviam conseguido embarcar em um voo para o Chile. Demorou mais de três horas para chegar a Guarulhos, saindo da Vila Mariana (zona sul). “Foi muito estressante”, diz. “Mas deu tudo certo, em nome de Jesus.”

Outros viajantes foram mais precavidos. O casal de advogados Letícia Martins, 25, e Lucas Muniz, 25, saíram mais cedo do que o habitual do trabalho para garantir que pegariam o voo para Sergipe, marcado para as 19h30, a tempo. 

Ela trabalha na região da av. Paulista (região central) e ele, na Faria Lima (zona oeste). Chegaram ao aeroporto às 17h30, após enfrentar cerca de duas horas de trânsito. 

“Sempre me programo para sair para o aeroporto uma hora e meia antes do voo. Hoje, saí com três horas se antecedência”, diz Lucas. 

A dentista Silvia Vaccari, 48, e o marido, o engenheiro Marcelo Vaccari, 49, saíram de São Bernardo do Campo oito horas antes do voo para Nova York, que decola às 23h45. 

Preferiram pegar o Rodoanel até o aeroporto, trajeto mais longo que inclui postos de pedágio, do que arriscar enfrentar um congestionamento na Marginal Tietê. Chegaram em cerca de uma hora e meia —pela cidade, em um dia normal, chegariam em uma hora, mais ou menos. 

“Véspera de feriado, chuva, ponte...tudo contou [para que saíssem com tanta antecedência]”, diz Silvia.

​Dois meses após um viaduto ceder e ser interditado na zona oeste de São Paulo, a prefeitura interrompeu no início da noite de quarta, por questão de segurança, o trânsito na ponte da pista expressa da marginal Tietê que dá acesso à rodovia Dutra. 

O bloqueio, na altura do Tatuapé (zona leste), foi feito a dois dias do feriado em comemoração do aniversário de 465 anos da cidade, quando é esperado um fluxo intenso de veículos na rodovia.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, afirmou no local que o dano foi “muito semelhante” ao que levou o viaduto da Marginal Pinheiros a ceder em novembro do ano passado. Desta vez, contudo, a estrutura não cedeu.

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