Descrição de chapéu Tragédia em Brumadinho

Brumadinho tem primeiros enterros de vítimas de barragem da Vale

Djener Las Casas e Fabrício Henriques foram sepultados no Cemitério Municipal

José Antônio Bicalho
Brumadinho

A cidade de Brumadinho teve, neste domingo (27), seus primeiros enterros de vítimas do rompimento da barragem de rejeitos da Vale. Até esta tarde, 37 mortes foram confirmadas e 287 pessoas estavam desaparecidas.

Fabrício Henriques da Silva, que trabalhava para uma empreiteira prestadora de serviços da Vale, foi enterrado no Cemitério Municipal Velho, atrás da Igreja Matriz de Brumadinho, na parte alta da cidade, às 12h30. Djener Paulo Las Casas Melo, operador de máquinas e funcionário da Vale, foi enterrado às 17h no mesmo cemitério.

Um tio de Djener disse que o rapaz estava noivo e feliz por ter sido recentemente contratado pela Vale. “Com o emprego novo, ele estava juntando dinheiro para casar. Estava na melhor fase da vida, noivo, planejando o futuro”, disse.

Antenagos Moreira de Jesus, 62, coveiro no Cemitério Velho há 20 anos
Velório Municipal de Brumadinho recebe familiares e amigos de vítimas neste domingo - José Antônio Bicalho/Folhapress

Há três cemitérios em Brumadinho. Dois são municipais: o Cemitério Velho e o Parque das Rosas. Um terceiro, Brumado, é privado. Por serem os mais antigos, a maioria dos enterros devem acontecer nos dois primeiros, onde as famílias tradicionalmente mantêm jazigos.

Há apenas quatro coveiros nesses cemitérios. Antenagos Moreira de Jesus, 62, que trabalha no Cemitério Velho há 20 anos, é o coveiro mais velho e uma espécie de coordenador do time. “Estamos aqui para ajudar as famílias. Acho que vamos dar conta, mas se forem enterros demais fico com medo que caia essa qualidade do nosso trabalho, que é o respeito com a dor e o tempo das famílias”, disse.

Antenagos Moreira de Jesus, 62, coveiro no Cemitério Velho há 20 anos
Antenagos Moreira de Jesus, 62, coveiro no Cemitério Velho há 20 anos - José Antônio Bicalho/Folhapress

Uma barragem da mineradora Vale se rompeu e outra transbordou na sexta-feira (25) em Brumadinho, cidade da Grande Belo Horizonte, liberando cerca de 13 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro no rio Paraopeba, que passa pela região.

Segundo o Governo de Minas, até as 9h deste domingo (27) haviam sido encontrados 37 corpos. Desses, 16 já foram identificados, segundo a Polícia Civil de Minas. Até o momento, foram resgatadas 192 pessoas pelos bombeiros. Há 287 desaparecidos.

A barragem 1, que se rompeu, é uma estrutura de porte médio para a contenção de rejeitos e estava desativada. Seu risco era avaliado como baixo, mas o dano potencial em caso de acidente era alto.

Uma outra barragem, a de número 6, agora está sendo monitorada a cada uma hora pela Vale, junto com a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros. Durante a madrugada, sirenes na cidade tocaram e os moradores foram evacuados. Pela tarde, as autoridades disseram que não havia mais risco de rompimento.

A Justiça mineira bloqueou R$ 5 bilhões da Vale para garantir auxílio às vítimas do desastre.  Esse é o terceiro pedido de bloqueio de valores das contas da empresa. No sábado (26), o MP solicitou outros R$ 5 bilhões para reparação de danos ambientais. Um pouco mais cedo no mesmo dia, a Advocacia-Geral de Minas Gerais entrou com pedido de R$ 1 bilhão para prestar socorro às vítimas. Isso faz com que a Vale tenha, agora, R$ 11 bilhões bloqueados.

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