Carro com deputada do RJ é interceptado e atingido por tiro de fuzil

Motorista foi atingido na perna; ainda não há informações sobre quem era o alvo

Nathan Lopes Lucas Vettorazzo
São Paulo e Rio de Janeiro

​O carro em que estava a deputada estadual e ex-chefe da Polícia Civil Martha Rocha (PDT-RJ) foi alvo de tiros na manhã deste domingo (13) no bairro da Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Estavam no carro a deputada, sua mãe e seu motorista. O veículo é blindado.

A deputada e sua mãe não foram atingidas, segundo a assessoria da parlamentar. O motorista, Geonisio Medeiros, foi atingido na perna, levado ao hospital estadual Getúlio Vargas, também na Penha, mas passa bem. Ele já foi liberado.

Ao UOL, a Polícia Civil confirmou a ocorrência, mas não deu mais detalhes. Ainda não há informações sobre quem era o alvo do ataque, nem sobre as motivações do crime. A deputada prestará depoimento na tarde deste domingo na Delegacia de Homicídios, na Barra da Tijuca, na zona oeste. A polícia investiga se o ocorrido foi um atentado ou uma tentativa de assalto.

Martha Rocha em entrevista coletiva na sede da polícia civil - Folhapress

Martha Rocha, que mora na Tijuca, na zona norte, dirigiu-se ao bairro próximo da Penha para buscar a mãe para irem à igreja, localizada no mesmo bairro, como fazem costumeiramente aos domingos. No percurso, foram interceptados por um carro branco modelo Creta. O motorista da deputada conseguiu desviar, mas um indivíduo que usava capuz deixou o outro veículo portando um fuzil e atirou, segundo a assessoria da deputada. 

Presidente nacional do PDT, o ex-ministro Carlos Lupi disse acreditar que a ocorrência foi um atentado. "A polícia está investigando. A nossa suspeita é de atentado", disse em mensagem ao UOL.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, pediu a investigação do caso. "Já determinei ao secretário da Polícia Civil, Marcus Vinicius Braga, que concentre todos os esforços na elucidação desse crime, que atinge não somente a deputada Martha Rocha, mas todo o povo do Estado do Rio de Janeiro", disse, por meio de nota.

O governador associou o episódio a casos de terrorismo. "A legislação brasileira tem que estar à altura da gravidade dos crimes, que mostram uma face do terrorismo e que estão sendo cometidos contra o nosso estado e o nosso país", disse em nota.

A Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) também classificou o episódio como um atentado. Em nota, disse que considera "extremamente grave o ataque a tiros contra o veículo em que estava a deputada Martha Rocha e seu motorista" e pede urgência na apuração do caso e a prisão dos responsáveis. 

Chefiou a Polícia Civil no Rio

Martha Rocha foi primeira mulher a chefiar a Polícia Civil do Rio, cargo que assumiu em 2011 e ocupou durante três anos.

Quando se lançou na política, em 2014, dizia não entender a segurança pública do Rio como um "jogo político". "Temos que aprender que a segurança pública é uma política de Estado. Assim sendo, ela deve ter planejamento, protocolos estabelecidos, projetos, e não ficar ao bel prazer de quatro em quatro anos."

No último ano, ocupou a comissão de Segurança Pública da Alerj. Apesar de ser mais próxima da Polícia Civil, a deputada apoiou a campanha de policiais militares pelo fim do regime adicional de trabalho obrigatório, no qual agentes são convocados compulsoriamente a trabalhar em dias de folga. 

Rocha se reelegeu deputada estadual para a legislatura 2019-2022 com 48.949 votos, a 20ª votação mais alta para a assembleia do Rio. Seu partido, o PDT, conseguiu manter três cadeiras na Alerj.  

Com UOL

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