Doria faz evento em tom de campanha com Covas após prefeito faltar à sua posse

Em reduto de aliado, governador e prefeito de São Paulo se dizem 'indissolúveis'

Artur Rodrigues
São Paulo

No primeiro dia após tomar posse prometendo aposentar a velha política, o governador João Doria (PSDB) e o prefeito Bruno Covas (PSDB) fizeram um evento com tons de campanha eleitoral para anunciar entrega da obra de hospital que só funcionará de maneira plena em 2020 e uma parceria ainda embrionária entre município e estado.

Assim que ambos desembarcaram no Hospital de Parelheiros, extremo sul da capital paulista, ambos foram cercados por apoiadores do vereador Milton Leite (DEM) gritando seus nomes. Acompanhados do ex-presidente da Câmara que é muito popular na região, tiveram aplausos e até gritos de "o campeão voltou" para Doria.

Doria e Covas fazem evento em tom de campanha e se dizem 'indissolúveis'
Doria e Covas fazem evento em tom de campanha e se dizem 'indissolúveis' - Divulgação

O hospital iniciado por Fernando Haddad (PT) ainda funciona parcialmente, mas o prefeito anunciou que as obras terminaram. A previsão é que a unidade seja ativada gradualmenre e funcione plenamente só no primeiro semestre de 2020, ano em que Covas deve tentar a reeleição. 

"Os distritos desta subprefeitira, de Parelheiros e Marsilac, são os com piores indicadores sociais na cidade. Mostrando que vamos governar para aqueles que mais precisam. Governar não é governar para região de Pinheiros, da Vila Mariana, do centro", disse um Covas com a camisa branca totalmente encharcada de suor, em um saguão do hospital cuja temperatura lembrava uma sauna. 

Covas ainda afirmou o hospital é uma das dezenas de obras deixadas paradas por Haddad, sem citá-lo nominalmente, e que sua gestão optou terminá-las antes de iniciar novas. "Não importa quem começou".

No palco, um dia após Covas faltar à sua posse para uma viagem pessoal, um Doria muito menos suado que os demais afirmou que ele e o Covas continuam unidos. "Quero deixar muito claro para vocês e os jornalistas que estão gentilmente acompanhando a entrega desta obra, aqui é indissolúvel. Bruno e João, João e Bruno. Juntos, sempre, prefeito e governador", disse Doria. 

Ao fim do evento, ambos fugiram de perguntas espinhosas como a ausência de Covas na posse e também do secretário da Casa Civil, Gilberto Kassab, que é investigado.

Doria diz que que a parceria anunciada é para colaborar com recursos e gestão, sem dar detalhes. "Ainda não  [definimos valores dos recursos]. Vamos agora  fazer esse alinhamento com os secretários. O importante era a obra concluída e hoje ela está sendo entregue de forma completa", disse Doria. 

O secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, afirmou que a ideia é usar os recursos para ampliar o atendimento de complexidade, principalmente oncologia.

Desde março, funcionam 52 leitos no pronto-socorro do hospital. Quando funcionar integralmente, a previsão é que haja um total de 258 leitos. No primeiro semestre deste ano, a gestão promete entregar o hospital dia e o ambulatório de especialidades. 

Mais aplaudidos que o prefeito e o governador, o anfitrião e Milton Leite e seu filho, o deputado federal Alexandre Leite (DEM), anunciaram emendas para o hospital e saúde na região que totalizam R$ 3,5 milhões.

Tanto Doria quanto Bruno agradeceram a Leite em seus discursos. Foi a Parelheiros, ao lado de Leite, que Doria foi em sua primeira agenda após ser eleito prefeito em 2016. Nas eleições estaduais, novamente o vereador participou ativamente na campanha do tucano.

Com a eleição de Doria, o vereador ligado à área de transportes passa a ter mais influência também no estado-- figura próxima dele, o ex-secretário municipal de Transportes, João Octaviano, assumirá a pasta de Logística e Transportes.

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