Ministério Público apresenta mais duas denúncias contra médium João de Deus

Novas acusações são por estupro de vulnerável e porte ilegal de armas de fogo

Marcela Leite
São Paulo | UOL

 O MP-GO (Ministério Público de Goiás) informou nesta quinta-feira (24) que apresentou mais duas denúncias contra o médium João de Deus: uma por estupro de vulnerável e outra por porte ilegal de armas de fogo —esta última também feita contra a mulher dele, Ana Keyla Teixeira.

A denúncia por estupro de vulnerável conta com relatos de quatro vítimas do Distrito Federal e uma de São Paulo, em casos que teriam ocorrido entre março de 2010 e julho de 2016. As idades das denunciantes variavam entre 23 e 38 anos na época dos fatos narrados. Todas relatam que, em um ambiente reservado, eram submetidas abusos sexuais por parte do denunciado.

Há na peça, ainda, relatos de seis abusos supostamente cometidos entre 1996 e 2009, mas esses já prescreveram, segundo a lei. As mulheres de Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e Distrito Federal tinham entre 23 e 51 anos à época.

Até agora, 310 vítimas entraram em contato com o MP e 160 já formalizaram depoimento.

A segunda denúncia apresentada hoje se deu por porte ilegal de armas de fogo de uso permitido e posse ilegal de arma de uso restrito, sendo este último considerado hediondo pela legislação brasileira.

Foram apreendidas no mês de dezembro, em operação de busca e apreensão feita pela Polícia Civil com o Ministério Público, cinco armas de fogo no quarto do casal. Duas delas tinham sinal de identificação adulterado, sem que fosse possível identificar arma e número de série. Como os objetos foram encontrados no quarto que o médium dividia com a esposa, ela também foi denunciada pelo MP.

Nessa mesma busca e apreensão, foi apreendido mais de R$ 1,5 milhão na casa de João de Deus, além de dólares, euros e francos suíços, o que levou a uma investigação por lavagem de dinheiro que ainda está em curso.

A Justiça não tem prazo para acatar ou não as novas denúncias contra o médium. Ele já é réu em outras duas ações, ambas por estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude.

O advogado de João de Deus, Alberto Toron, informou que não vai se manifestar, pois não teve acesso à denúncia.

A reportagem tentou contato com defesa de Ana Keyla Teixeira, mas ainda não teve retorno até a publicação desta matéria. 

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