Descrição de chapéu Obituário Severino Vitalino (1940 - 2019)

Mortes: Mestre da arte de Caruaru, viveu se apresentando como aprendiz

Severino aprendeu com o pai a fazer as figuras referência da cidade pernambucana

São Paulo

Quando criança, Severino se juntava aos irmãos e ao pai e partia em expedição ao rio Ipojuca. A missão era buscar o barro, que depois, em casa, eles limpavam com cuidado, afastando pedras e sujeira. 

Nas mãos de Mestre Vitalino, o pai, a massa do rio virava cenas de Caruaru e do interior de Pernambuco, onde viviam. O pai começou a fazer arte criança. Usando restos das panelas fabricadas pela família, o menino transformava barro em gente, bicho, árvore. 

Um dia, uma turista gostou das peças e pediu para comprá-las. Fazer figuras virou ofício. Terceiro de seis filhos, Severino sentava em volta do pai desde cedo para aprender.

Foi o único que seguiu trabalhando com isso. Retratava famílias, crianças em volta de casa, as fogueiras de São João, um homem caçando gato-maracajá. 

Severino passou adiante a vocação para os 13 filhos que teve com Nina. Quando os dois se conheceram, ela era uma viúva de 18 anos. O casamento durou mais de 50, até a morte dela em junho de 2017. Hoje, 10 dos filhos trabalham criando as figuras de barro, enquanto três as pintam. 

Até meados de outubro do ano passado, o próprio Severino seguia trabalhando, sentado no chão da casa museu, criada em 1971.

Na cidade de 356 mil habitantes, ele, que gostava de ajudar na igreja, era conhecido ainda pelas festas que fazia acontecer no dia das crianças e pelo time de futebol que fundou - o Auto do Moura. Por anos, foi um dos atletas em campo, depois ficou só na torcida. 

“Ele era uma pessoa muito simples, como meu avô foi, mas não se reconhecia como mestre. Ele dizia que era só aprendiz”, diz a filha Manuela. 

Severino morreu no dia 7 de janeiro, aos 78 anos, por parada cardiorrespiratória, no hospital que leva o nome de seu pai. Deixou 13 filhos, netos e bisnetos e um legado em barro e cor para sua cidade natal.


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