Descrição de chapéu Chuvas

Parede de prédio histórico cai com a chuva e mata homem em SP

Leonardo Soares estava dentro de um veículo que foi atingido pelo desabamento da estrutura

Fernanda Canofre
São Paulo

O temporal com rajadas de vento e granizo que caiu sobre São Paulo nesta quarta-feira (30) causou a morte de um homem na região central da cidade. Leonardo Soares, 32, estava dentro de um automóvel, no estacionamento onde trabalhava como manobrista, quando foi atingido pelo desabamento da parede de um imóvel histórico. 

O acidente ocorreu por volta das 17h. Um pedaço da parede do segundo andar do prédio desabou com a força dos ventos, caindo sobre o telhado que cedeu e caiu em cima da caminhonete Tucson onde Leonardo estava. 

O manobrista chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Pronto-Socorro da Santa Casa, porém não resistiu. Nesta quinta, o local do acidente seguia isolado para perícia. 

Segundo o colega de trabalho dele, Ednaldo de Araújo Moura, 26, o acidente ocorreu dois minutos depois de Leonardo ter entrado no veículo, para se abrigar da chuva que entrava pela frente do estacionamento. O colega estava a menos de 10 m de distância. 

“Paralisei, fiquei sem acreditar. Quando voltei a mim, chamei os bombeiros, não quis mexer nele para não piorar. Foi uma perda muito grande. Quando eu olhar para esse lugar, vou lembrar sempre do que aconteceu”, disse à Folha

Leonardo trabalhava há um ano no local. Natural do interior de Pernambuco, segundo conhecidos, ele vivia há 10 anos em São Paulo e tinha uma filha de cerca de 7 anos. Ele vivia em Jaguaré. 

No ano passado, durante outro temporal, pedaços de tijolos do segundo andar do mesmo prédio já haviam se desprendido. Na ocasião, ninguém foi ferido.

O casarão, localizado na esquina das alamedas Piracicaba e Ribeiro da Silva, foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) do estado de São Paulo em abril de 2013, juntamente com um conjunto de imóveis do bairro Campos Elíseos. 

Porém, devido a seu avançado estado de degradação e ruínas, em março de 2018 ele foi excluído da listagem. A base de dados do Idesp (Infraestrutura de dados espaciais do Estado de São Paulo), que mapeia imóveis tombados, ainda o inclui. A informação será corrigida segundo a Secretaria de Cultura e Economia Criativa. 

HISTÓRICO DA CASA

O imóvel que teve desabamento de estruturas foi construído em 1883 pelo Barão do Rio Pardo, que o vendeu ao Conde de Serra Negra. Entre 1902 e 1913, o prédio foi alugado para o Colégio Silvio Almeida, um internato de rapazes. 

No ano seguinte, o local passou a funcionar como sede do 4º Batalhão de Caçadores. Em 1918, ele foi adquirido por Dario Ribeiro. O pátio, onde hoje fica o estacionamento, servia de espaço para a cavalariça e árvores frutíferas, de acordo com um histórico feito pelo Condephaat. 

Erramos: o texto foi alterado

Diferente do que foi publicado na reportagem, o imóvel na esquina das alamedas Ribeiro da Silva e Piracicaba não é mais tombado. Em março do ano passado, uma resolução retirou-o da listagem dos bens tombados devido ao seu avançado estado de degradação e ruínas. A base de dados do Idesp (Infraestrutura de dados espaciais do Estado de São Paulo) estava desatualizada.

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