Descrição de chapéu Tragédia em Brumadinho

Equipe de Israel e bombeiros brasileiros farão buscas em refeitório da Vale

Esforços se concentram em localizar sobreviventes, diz equipe

Rubens Valente Carolina Linhares
Brumadinho (MG)

Os 136 militares israelenses que ajudarão nas buscas em Brumadinho irão se concentrar em localizar sobreviventes.

"O primeiro passo será o esforço de encontrar pessoas vivas desaparecidas. Esperamos encontrar", disse o coronel Golan Vach, a cargo da equipe.

Eles irão trabalhar em conjunto com os bombeiros brasileiros na área do refeitório da Vale, onde havia muitas pessoas no momento do rompimento da barragem da Vale.

Segundo o coronel Vach, a equipe trabalhará com radares para identificar sinais de aparelhos celulares. Com o passar do tempo, porém, é mais provável que os celulares já estejam apagados, o que inviabiliza a tecnologia.

Outra tecnologia que será utilizada depende de análise de uma amostra da lama da barragem. Para localizar seres humanos, radares identificarão materiais de composição diferente da lama.

A tecnologia israelense consegue localizar corpos em até três metros de profundidade. A profundidade da lama chega até 15 metros.

O comandante dos israelenses se reuniu nesta manhã em Brumadinho com o governador Romeu Zema e o comando das forças de segurança.

Equipe de Israel faz reunião para traçar estratégia de resgate
Equipe de Israel faz reunião para traçar estratégia de resgate - Divulgação

Zema, que já disse que só restaria recolher corpos, falou que a tecnologia israelense aumenta a chance de encontrar pessoas vivas.

"Vejo que com a tecnologia deles nós vamos aumentar em muito a chance de encontrarmos novos sobreviventes e também de termos mais agilidade na questão de encontrarmos vítimas, o que de certa forma vai amenizar e muito a angústia que as famílias têm passado", afirmou.

Os israelenses desembarcaram na noite de domingo (27) em Belo Horizonte com 16 toneladas de equipamentos.

Uma equipe de comando começou a trabalhar para estudar a tragédia ainda durante a noite. Ao amanhecer, foram ao local atingido para definir estratégias e depois se reuniram com Zema.

Houve ainda videoconferência com equipes em Israel para ajustar os equipamentos à realidade da tragédia. "Temos agora um quadro completo do que precisamos fazer", disse Vach.

Já a tropa com os 136 militares ainda se desloca por terra para Brumadinho, e estão a caminho do Córrego do Feijão, base das operações de resgate.

Golan afirmou ainda que os bombeiros têm feito um bom trabalho até aqui.

São 280 militares entre mineiros e reforços de outros estados. Os bombeiros também utilizam tecnologias como georreferenciamento para determinar locais onde havia mais pessoas, como o refeitório e a pousada. Usam ainda imagens de satélite para identificar onde havia imóveis, imagens de drone e câmeras de calor.

Zema esclareceu ainda que não são necessários donativos, e afirmou que "a situação está controlada".

"Eu sei que palavras não satisfazem, mas eu compartilho muito com as dores desses familiares."

Os bombeiros retomaram as buscas na região do distrito do Córrego do Feijão logo pela manhã desta segunda, em Brumadinho (MG), atingida pelo rompimento da barragem da Vale.

As buscas no Córrego se concentram num ponto onde os bombeiros acreditam estar a carcaça de um novo veículo, que pode ser um ônibus, um microônibus ou uma van. Os bombeiros usam enxadas e pás para escavar em volta do veículo e um alicate hidráulico para cortar estruturas metálicas. Eles não sabem ainda se há corpos no veículo.

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