Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Alçado a líder no Rio por Bolsonaros, major é acusado de incitar violência

Novo comando do PSC na Câmara Municipal do Rio prega que a cada policial assassinado 50 'vagabundos' sejam mortos

Catia Seabra Italo Nogueira
Rio de Janeiro

Afilhado político do senador Flávio Bolsonaro e líder da bancada integrada por Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio, o major Elitusalem Freitas é acusado na Justiça Militar de “organização de grupo para a prática de violência” e desrespeito à hierarquia. O julgamento previsto para esta terça-feira (12) foi adiado.

Nas postagens que motivaram também a abertura de uma sindicância, o novo líder do PSC prega, por exemplo, que, a cada policial assassinado, 50 “vagabundos” sejam mortos. O oficial também criticou o edital para o Curso de Formação de Oficiais, que passou a exigir o curso de Direito em 2017. Ele classificou o critério como “sacanagem”.

Major Elitusalem Freitas (PSC), eleito deputado estadual pelo Rio - Divulgação

As postagens do major lhe renderam ainda um Conselho de Justificação, instância responsável por avaliar a possibilidade de punição a oficiais. Submetido à avaliação em julho de 2017, ainda não concluída, ele perdeu temporariamente o porte de arma.

Já, em sua defesa, o vereador contou com o testemunho de Flávio Bolsonaro. "A postagem que ele fez reflete, na verdade, o que muitos da corporação gostariam de dizer a um governo que agora o tempo mostra, além de incompetente, corrupto. O que ele fala ali é o reflexo de uma indignação enorme", afirmou o então deputado, no depoimento prestado em plena disputa eleitoral.

O filho do presidente Jair Bolsonaro completou: "Não é porque veste uma farda que não pode ter uma opinião”.

À auditoria militar, Flavio Bolsonaro disse ainda que sempre teve "apreço muito grande pelos militares que se manifestavam preocupadas com o seu contracheque”. "É sinal que é uma pessoa que a princípio vive daqueles rendimentos e está preocupada em se manter dentro da lei", acrescentou.

Recém-empossado na Câmara de Vereadores —na vaga antes ocupada pelo vice-governador Cláudio Castro— Elitusalem conta que foi Flávio quem o convenceu a entrar para a política e a concorrer em 2016. O major diz que tinham amizade suficiente para pedir que depusesse em seu favor. "O Flávio é uma pessoa que a gente admira, que a gente conhece há muito tempo, e a gente tem acesso. E eu pedi”, relata.

O processo nasceu em 2017, quando oficial publicou textos como “Estado democrático de Direito é o caralho! Estamos em guerra, porra!!!”.

“A matemática tem que ser a seguinte: para cada policial morto, cinquenta vagabundos na vala! Se o ataque partiu de determinada facção, porrada em todas as favelas da ‘firma’! E se os direitos dos manos começarem a fazer barulho, uma ‘bala perdida’ na cara do filho da puta que estiver gritando mais alto resolve!”, escreveu.

Elitusalem afirma que estava sob o impacto da morte de dois amigos, além de um policial que perdera a perna em confronto, quando fez essas afirmações: “Quando defendemos que, para cada policia morto, 50 bandidos têm que ir para vala, têm que morrer, de forma metafórica, estamos dizendo que tem que ter uma resposta”, justificou o vereador, dizendo-se ciente do que publicou.

Apontado como autor de seis mortes em decorrência de intervenção policial, o major diz que tem mais. Questionado sobre a quantidade, ele diz: “Não tenho esse número. Mas se o jornal disse seis, vamos deixar seis”.

O major foi candidato a deputado estadual em 2010, pelo PSDC, a vereador em 2016 e deputado estadual no ano passado, pelo PSC, partido ao qual a família Bolsonaro estava filiada. Atualmente, apenas o vereador Carlos Bolsonaro permanece na sigla em razão da lei de fidelidade partidária.

Além das atividades políticas, Elitusalem tem uma empresa de mão de obra terceirizada, como limpeza, portaria, área de segurança, que é o caminho natural. Antes sua empresa funcionava na região da Praça Seca.

“Tinha uma empresa ali. Mas perdemos território." 

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