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Covas muda regra do Bilhete Único, e vale-transporte dará só 2 embarques

Empregador deve arcar com custo, diz Prefeitura de SP; mudança começa sexta (1º)

Leonardo Zvarick
São Paulo | Agora

A gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) determinou o fim da comercialização do Bilhete Único sem cadastro e a redução no número de embarques na integração com vale-transporte. Regras de viagens para o Bilhete Único normal e para o de estudante não mudam.

As novas regras foram publicadas no último sábado (23) no Diário Oficial da cidade e entram em vigor em 24 de maio, após 90 dias.

As mudanças nas regras da integração, entretanto, passam a valer já na próxima sexta-feira (1º). Outras medidas serão regulamentadas por meio de portarias.

Atualmente, é possível embarcar em até quatro ônibus no período de duas horas. A nova regra estabelece um limite de dois embarques, mas com uma hora a mais.

O decreto de Covas determina que somente cartões personalizados com nome completo, foto e número de identidade do usuário serão comercializados pela SPTrans, mediante cadastro no site.

Atualmente, é possível obter cartões sem foto apresentando número de CPF e documento com foto nos pontos de venda licenciados.

Com as novas regras, cartões não personalizados vão ser descontinuados —créditos remanescentes, no entanto, poderão ser transferidos para os novos bilhetes.

A partir de 24 de maio, cartões do Bilhete Único passarão a ter validade de cinco anos. A medida não se aplica somente a novas emissões, afetando também cartões antigos. Além disso, as recargas de créditos já tiveram prazo de validade reduzido de cinco para um ano desde a publicação do decreto.

Segundo a prefeitura, o objetivo das mudanças é combater fraudes.

Surge também a possibilidade de uso do bilhete para pagamento de transporte particular, como táxi ou bicicleta. O decreto projeta a criação de uma alternativa virtual ao cartão plástico.

A produtora cultural Edinéia dos Santos, 35, mora no Grajaú (zona sul da capital), e usa transporte público diariamente para ir ao trabalho na avenida Paulista (região central). Normalmente, o trajeto leva uma hora e meia, mas não é difícil passar de duas horas, dependendo de imprevistos e do trânsito na cidade.

“Muitas vezes preciso de três conduções. É comum ter problema no trem ou na lotação que eu pego, aí tenho que mudar de rota”. diz.

Para Edinéia, a mudança nas regras do vale-transporte atinge principalmente os moradores da periferia, que percorrem longas distâncias para trabalhar.

“Vou ter que tirar a diferença do próprio bolso e isso promete impactar demais o meu orçamento, mesmo que me reembolsem no mês seguinte”, afirma.

Em nota, a prefeitura afirmou que as mudanças no Bilhete Único têm como objetivo “uniformizar as regras e facilitar o acesso à informação para o usuário”.

Em relação à diminuição nos embarques do vale-transporte, a nota informa que trata-se de uma medida para equilibrar o sistema sem onerar os demais passageiros.

“Neste ano, o vale-transporte deixou de ser subsidiado pelos impostos municipais pagos pela população e o valor será utilizado para custear o sistema de transporte por ônibus da cidade”.

A prefeitura disse que a medida não impacta diretamente o trabalhador. Se houver necessidade de mais de duas conduções no trajeto ao trabalho, a responsabilidade de arcar com o custo deve ser do empregador.

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